História

Indice

O Início

Mitologia e Realidade

Contagem de Tempo

Nada de Mulheres

Ave, Nero

Renasce um ideal

Todas as Olimpíadas
 

O Início

Este ano inicia-se, em Atlanta - EUA, mais uma Olimpíada da Era Moderna, mas essa história transpassa milênios. Mais uma vez, irá tremular a soberana bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI), com seus cinco anéis entrelaçados representando a solidariedade mundial, a união dos continentes.

Revive-se então, uma antiga tradição esportiva, cuja existência remonta a quase 3000 anos. Naquela época os gregos já realizavam festivamente os jogos pan-helênicos, na pequena cidade sagrada de Olímpia, na península do Peloponeso.

Trata-se sem dúvida de um momento muito especial para um povo que tinha na guerra uma de suas principais atividades. Depunham-se então as armas, estabelecia-se a trégua e temporariamente ficavam superados todos os antagonismos entre as diversas cidades-Estados. Então, unidos em nome do esporte, os gregos prestavam culto a seus deuses e antepassados comuns.

Mitologia e realidade

Dessa forma, tanto na Antiguidade como nos dias atuais, os Jogos Olímpicos representam a verdadeira sagração do esporte, constituindo-se periodicamente num monumental espetáculo de juventude, beleza e esperança de paz entre os povos.

Nesse imenso painel mesclam-se as imagens mais variadas: o simbolo do Comitê Olímpico, atletas em plena disputa e cenários do passado, com cidades, templos e estádios olímpicos.

Como na Grécia Antiga mito e realidade se confundiam, é muito difícil precisar as razões e a época em que surgiram essas competições. Segundo a lenda, as primeiras Olimpíadas foram organizadas por Hércules, em honra a Zeus - principal divindade Grega - e a si mesmo, por ter vencido Augias, rei da Elida.

Contagem do Tempo

Os campeões dessa olimpíada divina foram Ares (Marte, entre os romanos), que venceu a luta, e Apolo, que, na corrida, bateu Hermes (Mercúrio, entre os romanos), deus dos viajantes e dos ladrões.

Mesmo deixando de lado o aspecto mítico da origem dos Jogos Olímpicos, sabe-se que as festas religiosas e esportivas gregas, remontam a um passado muito distante, impossível de ser determinado. O certo é que, oficialmente, as primeiras competições deste gênero só tiveram início em 776 a.c., quando começou a se registrar o nome dos atletas vencedores.

Esta data foi tão importante para os Gregos que eles tomaram como referência para contar tempo: a realização das Olimpíadas, de quatro em quatro anos, serviu como base para o calendário grego antigo.

Por ocasião dos primeiros jogos, Olímpia era o principal centro pan-helênico. A importância religiosa e cultural de Olímpia é atestada pelo trabalho do famoso escultor ateniense Fídias, que ali construiu uma majestosa estátua de Zeus, com 12 metros de altura.

Nada de Mulheres

Não resta dúvida de que os Jogos Olímpicos antigos apresentavam profundas diferenças em relação aos de hoje. Em primeiro lugar, era expressamente proibida a participação das mulheres, que nem sequer podiam assistir as disputas.

Além disso, durante cerca de 50 anos, os jogos consistiam apenas em uma  unica competição: a corrida de 200m de distância, equivalente a 600 pés de Hércules. Com o tempo, foram sendo introduzidas outras provas: lutas, pugilismo, lançamento de discos e de dardos, saltos, corridas de cavalos, de bigas e de quadrilhas.

Ave, Nero

Tudo começava com uma precisão religiosa, após a qual acendia-se o fogo sagrado, símbolo da vitalidade dos Helenos. Em seguida os juízes liam os termos da trégua e procedia-se o juramento dos atletas.

Cem trombetas de prata anunciavam cada vitória. O nome e a efígie do vencedor eram gravados em mármore ou bronze, como atesta a estátua encontrada no mar, perto de Maratona (Grécia, 1950), e a cabeça de bronze (Sarre, 1956) encontrada em Benevento.

Com o passar dos séculos o ideal olímpico se enfraqueceu, dando lugar ao espetáculo.

Os romanos - que dominaram a Grécia desde 144 a.c. - entusiasmaram-se com essas competições e, aos poucos, também contribuíram para distorcer seu espírito original. Silas transferiu para Roma a CLXXV Olimpíada (86 a.c.). Cerca de 100 anos depois, o Imperador Nero disputou seis modalidades, conquistando em todas elas, vitórias descaradamente arranjadas.

Como o passar dos anos, o cristianismo, que cada vez mais se firmava no Império Romano, passou a combater os Jogos Olímpicos: não via com bons olhos o culto aos esportes pagãos e também não tolerava a adoração do fogo sagrado, que, a cada 4 anos era aceso eem Olímpia. O golpe de misericórdia nas Olimpíadas antigas foi dado por Santo Ambrósio, bispo de Milão, que em 1393 levou o Imperador Teodósio a proibir a realização desses jogos.

Renasce um ideal 

O ideal olímpico, no entanto, renasce na Europa 1500 anos depois, no final do século XIX. Nessa  época, Constantino Zappas, rico mercador grego, lança uma campanha mundial pelo renascimento do espírito de Olímpia, com disputas esportivas internacionais. Ele próprio financia quatro realizações dos jogos pan-helênicos, entre 1860 e 1888. Outros gregos também promoveram esta iniciativa, foram eles: Andreas Syngros e George Averoff.

As lendas e a glória dos antigos heróis olímpicos fascinam um jovem parisiense, que assistira aos  últimos Jogos patrocinados por Zappas: Pierri de Fredi, Barão de Coubertin, pai das Olimpíadas modernas. De família nobre e abastada, Coubertin dedicou toda a sua vida ao renascimento  e à organização das Olimpíadas. Foi presidente do Comitê Olímpico Internacional, do qual se demitiu após a realização da VII Olimpíada, em 1924.

Sua atividade em defesa dos Jogos foi intensa: discursos, conferências, viagens e contatos com todas as associações esportivas do mundo. Em junho de 1894, convocou um congresso em Paris, no encontro decidiu-se reorganizar as Olimpíadas, a cada quatro anos, sempre em países diferentes. Criou-se, então, o Comitê Olímpico Internacional, presidido pelo grego Demetrius Vikelas.

Paris foi proposta como sede da I Olimpíada moderna, em 1896, mas a pedido dos gregos, decidiu-se por Atenas. A Grécia era um país muito pobre, e o Governo não recebeu com boa vontade essa iniciativa. Uma atitude, aliás, compartilhada pelos demais países, que não deram ajuda aos atletas nacionais. Tudo foi organizado exclusivamente com o apoio de particulares. Naquela amena primavera ateniense de 1896, quando o Rei Jorge I pronunciava o discurso solene, declarando abertos os Jogos, evocavam-se os ideais olímpicos dos antigos: beleza, juventude, competição, fraternidade, paz e colaboração entre os povos.

A primeira disputa no estádio de Atenas foi a corrida dos 100 m rasos, vencida em 12 seg. pelo norte-americano Burke. Outra imagem histórica imortaliza o triunfo do pastor das montanhas da Ática, Louis Spiridion, vencedor da Maratona. Conta-se que, durante a corrida, ele parou para "molhar a garganta" com um trago de vinho resinado. Ao ouvir dizer que seus concorrentes já haviam passado há algum tempo, saiu disparado, dizendo que iria ultrapassar todos eles, o que de fato aconteceu. Dos 12 finalistas participantes, apenas sete chegaram à meta, dos quais 6 eram gregos.

Aos vencedores, o Barão de Coubertin entregava uma coroa de ramos de oliveira, colhidos em Olímpia, como se fazia com os antigos campeões, e uma medalha de prata. Houve também uma classificação por países participantes. A partir dessa  época, os Jogos Olímpicos realizaram-se a cada quatro anos, com uma única interrupção entre 1936 e 1948, por motivo da Segunda Guerra Mundial. O Brasil vem marcando presença nas Olimpíadas desde 1920.

Daqui em diante, você verá fatos que marcaram cada uma das edições dos Jogos Olímpicos:

1896, 1900, 1904, 1908, 1912, 1920, 1924, 1928, 1932, 1936, 1948, 1952, 1956, 1960, 1964, 1968, 1972, 1976, 1980, 1984, 1988, 1992, 1996.
 

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