Em 1936, quando o fantasma do nazismo já rondava a Europa, Berlim foi escolhida como local para os XI Jogos Olímpicos. Diante de milhares de espectadores e de 4096 atletas de 51 países, exibiu-se toda a imponente retórica nazista. Deste ritual fazia parte todo o aparato da organização, superior à de Los Angeles.
Pela primeira vez, um grupo de 3000 atletas, que se revezavam a cada quilômetro, conduziu a tocha olímpica do bosque sagrado de Olímpia até Berlim. Todos os lances desta histórica disputa foram documentados por Hitler num filme colorido.
Seu objetivo era provar para o mundo a superioridade da raça ariana, pela vitória dos atletas alemães. Mas, para desconcerto dos nazistas, chamou mais a atenção a vitória espetacular dos corredores e saltadores negros norte-americanos.
Os EUA conseguiram doze medalhas de ouro, nove das quais conquistadas por atletas negros. Nesse contexto, o grande destaque foi para um jovem negro de 20 anos, Jesse Owens, que se consagrou campeão nos 100 e 200 metros rasos, em salto em distância e corrida com bastão. Cada vitória de Owens deixava ainda mais furiosos os líderes nazistas, e o próprio Hitler se recusou a entregar-lhe as medalhas ganhas.
Os XII e XIII Jogos Olímpicos
não chegaram a se realizar, por causa da Segunda Guerra Mundial,
que dilacerava povos e países. Assim, em 1946, quando o COI voltou
a se reunir em Lausanne, parecia que todos os ideais da Olímpia
antiga tinham desaparecido. O novo presidente do Comitê Siegfried
Edtröm acreditava, porém, que eles poderiam ressuscitar. E
os Jogos Olímpicos seguintes, de 1948, foram marcados para Londres.