No momento em que se realizaram os XIX Jogos Olímpicos na capital mexicana - os primeiros da América Latina -, uma onda de revolta sacudia o mundo ocidental. O próprio México não constituía uma exceção a isso.
O país se encontrava também convulsionado pela agitação estudantil e pela ação de pequenos grupos armados que tentavam desencadear a luta guerrilheira na nação asteca. Mesmo assim acorreram a Cidade do México um número surpreendente de competidores: 5531 atletas, representantes de 112 países.
Os desportistas negros foram as grandes estrelas dos Jogos de 1968, conquistando 21 medalhas de ouro. Esse triunfo não se resumia à mera disputa esportiva. Constituía também uma atitude política voltada para a afirmação da raça. Assim, quando Tommie Smith e Tohn Carlos subiram ao pódio para comemorar a vitória nos 200 metros, levantaram o punho fechado, calçado de luva preta, num vigoroso protesto contra o racismo nos EUA.
A Olimpíada do México ficou famosa pelos resultados técnicos alcançados: 301 recordes olímpicos foram ultrapassados, o mesmo ocorrendo com relação a 88 recordes mundiais. As corridas de fundo foram lideradas pelos atletas africanos, e Mamo Wolde, da Etiópia sagrou-se campeão da maratona. Al Gert Oerter, dos EUA, venceu pela quarta vez no arremesso de disco. Ralph Boston, outro negro norte-americano, bateu o recorde olímpico de salto em distância, pulando 8,90 metros.
Na classificação geral, a delegação brasileira que disputou os Jogos do México ficou em 38o. lugar, obtendo 1 medalha de prata com Nelson Prudencio (salto triplo) e 2 de bronze com Servilio de Oliveira (boxe - peso mosca) e Ralph Conrad/Burhard Cordes (vela - classe Flying Dutchman).