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Balbinices XXII
O Princípio da Turbulência
Balbina
 
Sentados na ante-câmara de acesso ao gabinete da Balbina Silvão, um grupo de lacaios aguarda impacientemente, interrogando-se sobre a razão de tão súbita convocatória. 
- "Cá pra mim, isto trás água no bico. Ultimamente tenho-a visto muito ensimesmada. Não fala a ninguém e passa muito tempo fechada no gabinete. E vem sempre muito tarde." - diz um lacaio mais íntimo.
- "Lá estás tu com as tuas visões pessimistas" - atalha uma lacaia mais optimista -  "Como a caçada aos gambuzinos correu bem, ela chamou-nos para nos dar um lai si!...."
- "Não querias mais nada?! E logo ela!..." - comenta outra.
E a discussão prossegue, em tom surdina, durante mais algum tempo. Por fim, cansados de tanto especular, calam-se e entregam-se a profundas meditações sobre a crise económica e a desvalorização do pepino.

Nisto aparece a Balbina em pessoa à porta do gabinete. 
- "Entrem e sentem-se. Com que então queres um lai si?! Não te chaga o taxo que te arranjei, ó Ténica-das-Leis?!...Mas lá por isso pega lá um pepino que te pode servir para muita coisa. Aproveita-o bem! "- diz a Balbina, deixando todos os lacaios surpresos com esta observação : Como é que ela sabia do comentário? Tinham falado em voz muito baixa e não estava ninguém presente. Ó diabo!... Querem ver que ela tem microfones na ante-câmara?!

Apreciando com satisfação o espanto manifesto dos seus lacaios, Balbina elucida : 
-" Vocês já deviam saber que eu sei tudo!... E vejo tudo!... - e apontava um painel de monitores de vídeo e gravadores que estava montado ao lado da sua secretária. - Até sei que tu vais ler para a casa de banho, ó Apelidada! E já agora, ó Ténica-das-Leis, eu não te pago para passares a vida nas fofoquices e a ler a Maria e a TV Guia!... Mas não vos chamei aqui para  discutir como é que vocês passam o tempo. Isso fica para outra vez. O assunto é outro. O que é que vocês sabem sobre turbulência?"

Sem tempo para se refazerem da terrível descoberta de estarem a ser vigiados por câmaras e microfones ocultos, os lacaios balbíbicos permanecem em silêncio, enterrados nas cadeiras e com os olhos postos nos pés. Por fim, Lascari, mais atrevido, quebra o silêncio para protestar :
- "Desculpa lá Bina, mas ... a que propósito mandaste instalar esse sistema de vídeo?... Acho que ..."
- "Tu não achas nada!" - interrompe a Balbina, olhando-o de tal modo que parecia que o queria fuzilar - "Eu não te pago para achares o que quer que seja! Tu vieste para o Pepino para fazer o que eu mando e mais nada, percebes? E não para pensar, entendes?... Quanto ao sistema de vídeo é apenas uma questão de segurança. E não admito mais nenhum comentário! Vamos mas é ao que interessa. O que é que tu pensas sobre turbulência?"
- "Não penso nada! Tu não acabas de dizer que eu não posso pensar?!...Então não penso!..." - riposta o Lascari, pondo-se de pé e preparando-se para sair.
- "Ó Lascari, querido!" - diz a Balbina em tom apaziguador - "Por quem és. Eu estava a brincar, filho! Senta-te, senta-te!...Então?...Já não percebes quando eu brinco?... Tu ultimamente andas muito irritadiço, Lascari. Vá lá, deixa-te de coisas.... Vá, diz lá o que pensas sobre turbulência."
- "Turbulência?...Turbo...lência..." - repete Lascari enquanto se dirige para a cadeira. - "Olha Bina, ainda há pouco provocaste muita turbulência. Mas por que é que perguntas isso?... "
- "Eu explico" - diz a Balbina - "É que utilizei o termo turbulência para caracterizar a nossa postura cultural no Pepino e o Grande Chefe deu-me um raspanete. Mas afinal que mal tem? É ou  não verdade que provocamos alguma agitação cultural? ... Pela positiva, claro está!... Longe de mim de estar a insinuar que somos uns quaisquer agitadores e desafectos dos verdadeiros valores culturais."

Após alguns minutos de silêncio, a Ténica-das-Leis intervêm :
- "Ó Sr.ª Doutora, de acordo com os normativos ténico-jurídicos e tendo em consideração o contexto meteorológico, a Sr.ª Doutora não cometeu nenhum abuso ou revelou negligência na utilização do termo turbulência. Toda a gente sabe que o Pepino é muito turbulento, sujeito a violentas rajadas de vento. Diria mais e com toda a propriedade, que a utilização metafórica da turbulência é perfeitamente adequada no que concerne à cultura da batata e das cebolas...."
- "O quê?!! Que estás para aí a dizer ?" - pergunta a Balbina surpreendida com a diarreia lógico-jurídica da Ténica-das-Leis - "Mas tu estás cada vez mais idiota!... A húmidade faz-te mal ao miolo!...E se fosse só tu, ainda vá que não vá. O pior é que nenhum de vocês percebe nada de turbulência!...Que bando de ignorantes !... Estou bem arranjada com vocês!... Ponham-se na alheta que já não tenho paciência para vos aturar. Que mal fiz eu para ter assessórios tão idiotas ?!!!... Vocês só servem mesmo para abocar gambuzinos!...Ponham-se n´alheta, já!..."

Os assessórios  balbínicos saem apressadamente às arrecuas, fazendo vénias até ao chão. Agitando as suas banhas, Balbina liga a ventoinha, senta-se à secretária, agarra na sua MontBlanc e desata a escrever de forma turbulenta um ensaio turbulento sobre a turbulência físico-socio-político-económico-cultural no Pepino. 
 


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Última actualização : 23 de Março de 1998
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