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Balbinices XXI
Abertura da caça
aos gambuzinos
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Recuperada
do ataque nervoso que a vitimou, BAlbina Silvão reinicia as suas
funções de Gestora Racional de Recursos Humanos com a sua
actividade preferida : caça aos gambuzinos. Cheia de energia e transpirando
sinergias, Balbina - Bina prós amigos - e seu staff venatório
organizam uma cerimónia para a abertura formal da época de
caça aos gambuzinos.
A cerimónia tem lugar nas matas de cimento do Pepino, à noite, com a iluminação pública apagada, à luz de archotes e candeias de azeite. Balbina Silvão, armada de varapau, capacete anti-choque, botas cardadas, rede mosquiteira, e disfarçada com um camuflado extra-extra-large em 3ª mão comprado na Feira da Ladra, discursa de forma empolgante do alto da capota do carro que serve de improvisado púlpito. - "Camaradas! Esta nossa cruzada contra os gambuzinos desafectos às instituições, é uma cruzada sagrada! É bom que todos nós, os defensores da civilidade pipanesa, os defensores dos mais altos e elevados desígnios nacionais do Pepino, tenhamos consciência da missão histórica que hoje se inicia. Caçar gambuzinos não é apenas um desporto cinegético. Caçar gambuzinos é um imperativo nacional e patriótico, é libertar o Pepino duma espécie animal repugnante cuja simples existência constitui um atentado, não só às outras espécies em vias de extinção, mas, acima de tudo, à estabilidade e à ordem socio-política da nossa República do Pepino. Um bom gambuzino, é um gambuzino morto! Camaradas, nós temos o dever de proteger o Pepino e suas sementes! Camaradas, nós temos o dever de eliminar os gambuzinos. Que será das nossas espécies nacionais em vias de extinção se não eliminarmos os gambuzinos? Que acontecerá às nossa rolas, aos nossos papagaios, aos nossos cães amestrados, aos nossos lobos, se admitirmos a existência dos gambuzinos? A extinção, é claro! Camaradas, um bom gambuzino é um gambuzino morto!..." Um uivo de satisfação e concordância salta das gargantas dos lacaios balbínicos, interrompendo o discurso da sua chefe e mentora. Ladram os cães amestrados e uivam os lobos em vias de extinção, igualmente contaminados pelo delírio balbínico que varre a pequena multidão. Os archotes ganham vida e queimam as moléculas de oxigénio com mais sofreguidão. Balbina, de varapau em riste e olhos fixos no infinito, espera que a sua tropa se acalme. Dando ordem com o varapau para se calarem, prossegue. "Fico satisfeita...estou satisfeita por ver o vosso entusiasmo!... O vosso empenho nesta missão patriótica e nacional é motivo de orgulho para mim e para o Grande Chefe. Camaradas, a caçada que agora vamos iniciar é sagrada! Esta noite é uma noite histórica!...A emulação deve animar os vossos espíritos. Temos de apanhar o maior número possível de gambuzinos! É um imperativo nacional eliminar o maior número possível de gambuzinos. Utilizem o varapau com criatividade. E se o varapau não serve, utilizem outros meios. Nesta cruzada sagrada a única regra válida é : um bom gambuzino é um gambuzino morto. Nesta caçada vale tudo. Sirvam-se das vossa mãos, dos pés, dos dentes se necessário, mas eliminem o maior número possível de gambuzinos que puderem. À paulada, à pedrada, a pontapé, à bofetada, à cabeçada ou à dentada, vamos dar cabo dessa espécie maldita que conspurca a nossa ordem social, florestal e cinegética. O Pepino é dos pepineses!... Viva o Pepino! " E
a turba de lacaios balbínicos, totalmente ao rubro, grita bem alto
: "Peepiinu, Peepiinu, Peepiinu!...". Lascari,
agitando bem alto o seu archote, aproxima-se da Balbina para lhe dar os
parabéns :
Do
25º andar de um prédio sobranceiro, o Grande Chefe sorri satisfeito.
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