Bundões e Neodemocracia

Giordano Maçaranduba

É interessante como não há reação sem ação, parece que mesmo num meio como o universitário, que deveria ser um meio de discussão, de vanguarda, que pelo menos deveria ser mais complexo do que o simples imput-output, do que a teoria da ação e reação, do que a simples reação ao estímulo, seja tão válida a lei física de Newton ou a lei psicológica de Pavlov. É impressionante que passado os períodos mais claramente antidemocráticos como as ditaduras no Brasil, os estudantes se tornem incapazes de esboçar qualquer reação aos problemas que eles ou suas faculdades ou mesmo suas universidades enfrentem.

Não me cabe ficar falando da teoria solta, sem nenhuma objetividade, então reduzamos o objeto de estudo à Facomb e por vezes ao 4º ano de jornalismo, o qual freqüento juntamente com mais uns 29 bundões, realmente uma turma imprestável, sem nenhuma união, sem nenhuma mobilização, com um egocentrismo impressionante e que infelizmente não é o único lixo da Facomb, há outras turmas problemáticas (as turmas com matriculas em anos ímpares são geralmente mais competentes, o que não as impede de mesmo assim terem seus mórbidos problemas que, mesmo assim, são menos repugnantes que as das outras turmas), essa turma que deve se formar em março do ano que vem e a faculdade há de permitir uma aberração desta, por três vezes esteve mal reunida para resolver que atitude tomar no provão, embora a maioria não estivesse nem aí e sua única preocupação é saber qual foi o resultado, embora para muitos destes nem saber do resultado lhes interessa.

Tá certo. Foi aberto um parêntese meio grande no assunto que tratávamos, mas ele se justifica por uma série de observações que embora não estejam assim tão diretamente relacionadas ao assunto, são pertinentes, pois são constatações escabrosas que não poderiam deixar de serem feitas. Voltando ao assunto será que temos que ser assim (olha gente, tenho visto muita gente politizada na faculdade e que não está incluída nesta cambada de borra-botas, principalmente alunos do terceiro ano e um bom número do primeiro, que tem matriculas ímpares) tão acomodados, tão passivos. Não podemos ser bundões. Não precisamos fazer revoluções, mas não é possível esse marasmo. Lutemos pelo que é justo agora, pois num breve futuro talvez a democracia não mais permita.

Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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