Carta ao cowboy fora da lei
Leandro de Souza Mendes
- Hoje é domingo. Missa, praia e céu de anil, faça o que tu queres pois é tudo da lei. Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida.
- Já é segunda-feira e decretamos feriado, chamei Dom Pablo Kossa e saímos lado a lado, tomamos nossos banhos de chapéu para esperar o papai Noel. Assim nós vivemos, nesta metamorfose ambulante, ele lamentando os discos quebrados da coleção de Pink Floyd, enquanto eu me lembro do chaveiro escrito "love".
- Como vovó já dizia, quem não tem colírio usa óculos escuros, e nós o usamos quando vamos para o sítio o sertão de Piritiba, onde tudo dá errado, mas que culpa tem o Cabral? Eu já me aposentei com saúde pela assistência social, já paguei o meu tumbão para poder morrer em paz, mas ainda não parei na pista por ser muito cedo para me acostumar. Ainda não me detetizaram (e não iria adiantar, pois, se mata uma, vem outra em meu lugar).
- O sapato 36 que aperta nossos pés, enquanto esperamos o trem, não nos permite sentar no trono de um apartamento sem nada fazer. E escuto um chato dizendo no rádio! Pare o mundo que eu quero descer?
- Bem, cowboy, já faz dez anos que o cinema incendiou, o mundo parou e você desceu, mas nós continuamos. É triste aceitar que o caminho da vida é realmente a morte. Acho eu que ela atendeu o seu pedido e veio vestida de cetim e você pode provar o gosto estranho que queria, mas não desejava, e você mesmo assim encontrou.
- Filhos do mundo somos os homens, pequenos girassóis que mostram a cara e enormes montanhas que não dizem nada. Você, como homem, mostrou a sua e mandou sua mensagem com sua chata e renitente, e ainda existem os que te seguem, procurando a sociedade alternativa. Luar, o teu nome aos avessos, era, verdadeiramente o início, o fim e o meio.
Leandro de Souza Mendes é estudante do 1o. ano de jornalismo da UFG.
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