Mais de futebol
Guillermo A. B. Rivera
- Muitas pessoas achavam que eu estaria, a essa hora, subindo pelas paredes após ter lido o artigo de Nazareth de Paula no Integração do mês passado. Afinal, nesse artigo citado ela critica algo sobre o qual sempre falo: o futebol. Mas eu quero mesmo é parabenizar a autora por ter produzido (mais) um bom texto para esse jornal. Gostaria, entretanto, de meter minha colher no texto, afinal falta um pouco de embasamento técnico ao artigo, e acho que sei divagar sobre esse tema.
- A crítica que Nazareth faz nada mais é do que uma denúncia do exagero a que foi levado o futebol nestas últimas décadas, criando histeria coletiva e reações extremadas. Tudo fruto de, parafraseando o compositor Bernard Sumner, um "bizarro triângulo amoroso" entre TV, patrocínio e futebol. Desde os anos 70 isso já é observado, pois a Copa do México foi disputada ao meio-dia para agradar à TV européia, e 24 anos depois, na Copa dos EUA, isso se repetiu, desgastando e maltratando os profissionais. A TV cria horários inimagináveis para uma boa partida (como domingo às 19 horas, ou quarta às 21h40) e depois reclama da falta de público e do pobre jogo apresentado. Isso sem contar a própria histeria criada em Copas do Mundo, por exemplo. Você acha que há um sincero fervor patriótico no alto comando das redes de TV? Há um sincero fervor em faturar com qualquer porcaria relacionada com a Seleção, isso sim.
- Como se isto fosse pouco, a imagem de muitos jogadores é supervalorizada, e muitos torcedores de sofá engrossam o coro dos locutores e comentaristas, endeusando jogadores que talvez não sejam, na realidade, os melhores do mundo. Que há comentaristas elogiando jogadores porque detém parte do passe dos mesmos, não há dúvida; cito como exemplo o esquema dos repórteres de uma emissora paulista de futebol, que foi comprovado. Será que dá mesmo para confiar na análise de fulano ou sicrano? O futebol, depois de televisionado, também trouxe sérios obstáculos para os outros esportes. É criado um círculo vicioso: o brasileiro gosta de futebol; investe-se mais dinheiro neste; ele fica mais forte, e os outros esportes, de pires na mão; o futebol atrai ainda mais gente; mais investimentos nele e menos nos outros etc.
- Não estou falando que a TV é malvada, cruel e ruim e que o futebol agora deve se restringir ao rádio e aos pagantes de ingressos. Estou falando que algo que poderia ter sido muito bem explorado, casando as nossas criatividades televisivas e futebolísticas, está sendo a ruína de nosso futebol semi-amador. É claro que também não é o único fator, mas será que com um tratamento mais sério por parte da TV, os dirigentes teriam toda esta liberdade para deitar e rolar sobre as regras do jogo, por exemplo? Fica aí a questão.
Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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