Os incríveis anos ímpares
(ou sobre meu artigo do INTEGRAÇÃO de julho)

Giordano Maçaranduba

Parece claro que as turmas que têm matricula em anos ímpares reservam aptidões especiais. Caso bem claro da coesa e politizada turma que entrou na universidade este ano. É bem verdade que nem todos tem uma compreensão política tão notória e exacerbada, mas em média a turma é caracterizada por uma atitude política acima da medíocre média de nossa faculdade. Em termos de política passa longe da mediocridade comodista do segundo ano e do maquiavelismo, quando não ignorância política do quarto.

Me parece que o terceiro ano é a turma dos grandes talentos individuais, não que as outras turmas não tenham talentos, mas nenhuma classe os tem em tamanha quantidade quanto o terceiro ano, no qual há muitos filósofos e (fato raro) pelo menos umas três filósofas, há pessoas que dominam a política, pessoas com grande compreensão social. Enfim é a sala dos intelectuais, ou pelo menos eles estão em maior concentração. Nenhuma sala (a do primeiro ano pode ser até mais virtuosa, mas por enquanto o que existe é potência, é preciso que se dê tempo ao tempo para ver como a turma vai reagir aos obstáculos que certamente encontrará pela frente).

É claro que tudo o que foi dito até agora foi generalizado e há exceções em todos os anos. Há gente profundamente despolitizada no primeiro ano, como há gente com boa compreensão política no segundo, como há gente sem alguma aptidão particular excepcional no terceiro ano e como deve haver alguém no último ano que não seja nem ignorante e nem maquiavélico. Contudo como foi dito são exceções e no caso do segundo, terceiro e quarto anos são mais raras. Parece que um ano vem uma fornada de intelectuais, que excedem a condição técnica de jornalistas; na outra vem uma fornada compostas por bons, médios e horríveis jornalistas.

Bom... para falar mal de um ano par, nada mais ilustrativo do que o quarto ano, que é basicamente composto pela ala dos jornalistas medíocres destinados às notícias do dia a dia, estes os ignorantes; e pela ala dos jornalistas postulantes (quer dizer mendicantes) ao caderno dois e que estão irremediavelmente, insoluvelmente e pragmaticamente distantes de cadernos mais elaborados como o Mais, por exemplo e que nunca terão domínio para escrever em revistas como A palavra P, Bundas, Carta Capital, Caros Amigos ou mesmo A Terceiro Mundo, entre muitas outras que esqueci de citar, inclusive uma importantíssima. Minha esperança é que alguns destes com alguma chance de salvação (obviamente os não acadêmicos) se especializem desde já e muito a frente numa área e escapem dessa esparrela pútrida formada pela turma de 96.

É isso nos anos impares os intelectuais resolvem comparecer a faculdade, nos anos pares vem as pessoas comuns que acabam sendo bestializadas pouco a pouco pela faculdade. É claro que essa é uma teoria absurda, mas o que mais explica essa realidade: um primeiro ano unido, politizado e combativo; um segundo ano acomodado; um terceiro ano carregado de intelectuais e um quarto ano maquiavélico, quando não imbecil (com suas gratas ou ingratas exceções, é claro).

Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.

Mande um e-mail para Giordano Maçaranduba ou para a direção do jornal.

Artigos exclusivos

© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
1