Fórmulas e antídotos
Guillermo A. B. Rivera
Mais um início do ano, e mais uma vez o desânimo se instalando
nos torcedores de várias equipes. Não importa o quanto vitorioso
seja o time para qual um determinado espectador torça, começo
de ano sempre traz esta apatia quanto ao futebol. As causas apontadas parecem
ser as mais óbvias, como a proximidade com o Carnaval, a “ressaca”
do ano anterior, o espírito de férias. Pouco importa, pois
nenhuma dessas causas é a certa. E na verdade não é
só este comecinho de ano que traz apatia futebolística, mas
todo o primeiro semestre da bola pode ser considerado morto, pelo menos
até meados de junho. A verdadeira causa? As desestimulantes fórmulas
dos certames estaduais.
Alguns podem argumentar que os estaduais não compõem a
totalidade do calendário da bola neste primeiro semestre. Verdade,
mas nenhuma outra competição mexe com a maioria das pessoas
nestes seis meses como os campeonatos internos. Afinal, a Copa do Brasil
só é realmente atrativa perto do seu final, quando apenas
16 ou 8 torcidas de todo o país seguem acompanhando seu time na
disputa. Aos outros restam os estaduais, que podiam dar certo mas, graças
às suas fórmulas de disputa, não se sobressaem.
Pegue por exemplo a disputa do Paulistão 2000. Doze equipes disputaram
uma desgastante primeira fase, com dez jogos em um mês para cada
time, para se classificarem à segunda fase...onze times! A primeira
etapa só valeu para o América de São José do
Rio Preto, equipe rebaixada. E pouco adiantou ficar em primeiro, como a
Ponte Preta, ou décimo primeiro, como a Internacional de Limeira.
No Rio, a coisa não vai muito além disso. Uma seletiva
está sendo disputada para definir as equipes que se juntam às
“quatro grandes”. Certo, seria até justo não fosse pela idéia
do “handicap”, que faz a equipe do Serrano começar com um ponto
de bonificação, e o Americano começar com oito pontos
extras.
Em Goiás, a fórmula do ano passado (a exemplar disputa
em turno e returno com pontos corridos) foi abandonada. A Federação
alega que o Goiás disparou e o campeonato se tornou desinteressante.
Para premiar os incompetentes, ela mexeu no regulamento, criando jogos
que não valem nada para apontar oito classificados, que logo viram
quatro e depois os dois que decidem o título ? do turno! Goiás
e Vila Nova estão se sentindo “palhaços”, pois a possibilidade
de ficarem de fora dos oito primeiros é muito remota. E nós,
torcedores, para variar também nos sentimos uns palhaços.
O antídoto mencionado no título? Parar de prestigiar o futebol,
pois quem sabe desta forma nos sentiremos menos idiotas e os dirigentes
tomam vergonha. Ou será que nem assim?
Guillermo A. B. Rivera é estudante do
4o. ano de jornalismo da UFG.
Mande um e-mail para Guillermo
A. B. Rivera ou para a direção
do jornal.
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