O milagre oculto do socialismo
Luiz Roberto Cupertino
- Basta de FHC! Foi isso que ouvi em propaganda eleitoral do PC do B, o partido socialista. Não que eu concorde com a política neoliberal de FHC, apesar de recusar a idéia de que ele assim o faça por pura falta de caráter, intencionalmente, para destruir nosso país. Qualquer um que tenha um cerébro que funcione rejeitaria tal idéia. Mesmo querendo o bem do país, e eu acredito nisso, FHC está seguindo caminhos desagradáveis. Mas me interessa aqui os chamados socialistas. Ou a esquerda em geral (afinal é assim que eles gostam de ser chamados).
- Essas pessoas defendem com paixão sua terra contra o imperialismo. Dão pulinhos, batem os pés, dão chilique. Ninguém discute, ninguém cujo juízo possua a seu dispor pelo menos dois neurônios, que a globalização é a dominação de uma cultura e de uma economia que todos sabemos qual (aquela que muitos de nós, brasileiros infelizes, usamos estampadas em nossas camisetas). O que me admira e me faz ter calafrios emocionados é ver um senhor como Luiz Inácio da Silva se insurgir contra o neoliberalismo, sendo que sua assinatura está na lista das corporações Rockefeller, emitida por ele mesmo, para propagação dos dotes neoliberais. Mas há, certamente, pessoas que ainda acreditam que Lula é um bom homem. Afinal, neurônios não são distribuídos assim a torto e a direito.
- Mas o que mais me emociona é ver políticos cansados defenderem uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas. O nazismo, pobre coitado, perde feio em sangue derramado. No entanto, aprendemos a odiar Hitler e a amar Fidel. Ora, vidas que se vão são vidas que se vão. Ou uma lágrima burguesa não vale o mesmo que uma lágrima operária? Os marxistas farão ouvidos moucos, visto que seu mestre foi quem propagou uma idéia assassina, que só pode se concretizar, se tanto, com um derramamento de sangue sem precedentes, mas que por uma dialética absurda e esquizofrênica, aprendemos instintivamente a achar que vale a pena morrer para ver no que vai dar. Hanna Arendt estava certa ao dizer que o holocausto nazista em nada difere do comunista, se entendemos por humano aquele que vive (e que talvez, se os comunistas deixarem, têm direito a tal). E assim surgiu a mais sutil forma de totalitarismo. O totalitarismo da ignorância.
- Que a esquerda dá piti sem rumo e sem embasamento, isso é coisa óbvia. O que eu não admito, como ser humano, como ser que respira, é ouvir um monte de imbecis de cavanhaque defender uma ideologia que matou mais gente na história da humanidade do que a soma de todas as guerras do século XX. São assassinos, e nos incutem a idéia de que são pessoas boas. Luta de classes, operários uni-vos, ah, que não me tragam estas frases à memória. Já posso ouvir o choro de mães, e filhos, que serão e foram sacrificados em nome dessa ditadura. E por que, tal qual fazemos com Hitler, não aprendemos a odiar os comunistas? Porque somos iludidos e achamos que um dia dará certo. E acorbetamos, assim, sob uma ideologia assassina, cem milhões de pessoas que ousaram discordar. Ousaram acreditar, infelizes, em algo chamado liberdade. Mas já sabemos que isso não existe.
- E sobram essas hilárias sapitucas de homens que se dizem esclarecidos pelo materialismo histórico. Eu digo o que eles são: apologistas do crime. Merecem atenção especial da justiça. São tolos e criticam entidades abstratas como o capital, a burguesia, etc, nem um pouco desconfiados que fazem com isso nada mais do que esconder sua ignorância e retirar dos ombros sua própria responsabilidade de agir.
- Nisso eles nada diferem dos neoliberais. São especialistas em iludir o povo com palavriado sofisticado. Ambos propagam a miséria. O que me deixa preocupado é que os primeiros são mais preparados. Mas, tanto faz, já deixei de acreditar em duendes, papai noel, e agora por último, nesta tal liberdade, nesta tal cultura, neste tal emprego. O que importa? Os articulistas do INTEGRAÇÃO escrevem poesias. E já não me lembro de minhas outras tantas descrenças.
Luiz Roberto Cupertino é estudante do 5o. período de filosofia da UCG.
- Mande um e-mail para Luiz Roberto Cupertino ou para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|