Uma história que eu gostaria de contar
Giordano Maçaranduba
- Esta é a história de mais um desses imbecis com os quais me identifico bastante (ou pelo menos gostaria de ter e compreender um pouco de sua temeridade). Conta-se que no longínquo século XXIII d.A. viveu em Mineápolis, Piauí, um sujeito chamado José João da Silva, mais conhecido Zé da Birosca, que nunca foi prefeito ou juiz eleito de sua cidade nem exerceu qualquer cargo público. Não foi candidato sequer a delegado distrital (naquela época, não havia ainda eleição para delegados, juízes, mas o PFL continuava sendo o partido do governo ou contingentemente seu aliado quando este não conseguia integrar a chapa vencedora. O leitor me permita abrir um novo parêntese para acrescentar que o PFL foi situação até mesmo quando o Lula se elegeu presidente em 2002 d.A., Olívio Dutra em 2006 e Marta Suplicy em 2010 e José Maria foi governador do Rio de Janeiro em 2004).
- Agora, nada disso tem muito a ver com a história do nosso Zé da Birosca, que como o próprio nome diz era funcionário de um daqueles minúsculos bares de periferia, e era muito atento às idéias que circulavam por um ambiente tão profícuo, e talvez por isso sempre estivesse revoltado com sua pouca força política, pela sua falta de representatividade no contexto político (é claro que ele não expressava com essas palavras, mas o que sentia era isso) e por isso era tido como subversivo, talvez também porque tivesse uma grande simpatia pelo MST, um movimento romântico que pregava a máxima do liberalismo econômico: "se uma terra não é produtiva, deve-se desapropiá-la para torná-la produtiva, ou seja as terras tem que ser produtivas, devem ter função social, quer dizer, puro liberalismo inglês do século XVI".
- Era tido como comunista pelos cidadões neoliberais (neoliberal, para quem não sabe, é quem nasce nos Estados Unidos do Cone Sul desde o século XXI e não aquela ideologia do Friedrich Hayek). Todos os dias, depois de beber algumas que os clientes sempre lhe pagavam, ele fazia discursos inflamados contra o governo, o sistema judiciário e o sistema político-judiciário-carcerário, que no século XXII foi aglutinado. Era sempre um show, em que as pessoas adoravam, algumas riam, mas ninguém refletia. Ele morreu em 2479; vinte anos depois, alguns dos freqüentadores do bar lideraram a revolução que acabou com a democracia representativa pela democracia participativa plena.
- P.S.: Parabéns a Luanda Dias pelo seu amável, sensível e crítico texto ("Sobre o amor"). Bravo Gilberto Gomes! Se tivesse a tua inteligência, esse é um texto que eu adoraria ter escrito ("Tatibitate"). Marco Aurélio Vigário, adorei saber que existe tal concepção pedagógica ("Summerhill: em defesa da liberdade na educação"). Valeu Marco Aurélio! O poema da Andrielly Andrade ("Intencionalidade") é fenomenal, um dos melhores que li no jornal. Finalizando: 3 a 1 para o terceiro ano de jornalismo!
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Giordano Maçaranduba ou para a direção do jornal.
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