O amor no templo das flores
Gilberto Gomes Pereira
- "Viver-para-ti faz implicitamente alusão, de uma maneira indireta, à possibilidade de morte. Mas viver-para-ti-até-morrer, o segundo paradoxo, significa explicitamente o sacrifício mortal e a própria morte." - Vladimir Jankélévitch
- Há uma inércia em mim, disse ele, olhando para o céu, na esperança de que o etéreo azul lhe tirasse do coração aquela sensação nostálgica. Sobre as pétalas, caminhava perdidamente pelas ruas floridas e não cessava de sussurrar o nome dela. O jardim o cercava, fazia-o transpirar amor, no passeio pela refulgência do olhar de Gabriela.
- Enquanto ele suspirava, ela dizia que o tempo é feito de partes desiguais e que por isso causa efeitos diferentes nas pessoas. Por isso há tantos desencontros. Ao se perder no verde cintilante dos olhos dela, ele sentiu o aroma das flores. Olhou para todos os lados e não viu nada, além da própria imagem que sucumbia num desejo delirante, presa, no meio de tanta beleza. Com suavidade pronunciou seu nome, na esperança de que ela pudesse surgir diante dele e falar-lhe daquele labirinto que fora construído para que nele os corações enamorados fossem tragados pela quimera do amor. Em vão. Foi quando ele percebeu que Gabriela era o jardim, as flores, o perfume, tudo. Mas ele não estava nela. Ela estava dentro dele.
- Tentou dizer alguma coisa, falar de seu amor. Então ele entendeu que não adiantaria. As mais belas palavras se tornariam pobres e acanhadas diante do esplendor e da beleza incomparáveis de Gabriela. Portanto, tudo que ele dissesse seria o óbvio, já expresso em seus olhos e cravado em sua alma, o sentimento voraz que se alimenta da imagem sublime de um amor insólito. Nada lhe restou senão esperar. Esperar por uma porta se abrindo e revelando as razões do amor. Esperar pelo vento que sopra nos canteiros de rosas multicoloridas, invisível e inesperado.
- Esperou tanto que quando deu por si, já não existia mais. Vencido pelo cansaço, de uma espera incessante, sua últimas palavras foram um murmúrio, "amor, meu grande amor", que também se perdeu no tempo, o maior dos labirintos.
Gilberto Gomes Pereira é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|