O fim do mundo e outras paranóias de hoje

Claudio Haruo Yamamoto

Passado o fim do mundo, que se deu no dia onze de agosto de mil novecentos e noventa e nove, segundo foi previsto, podemos refletir sobre o que poderia ter acontecido se tivéssemos sobrevivido a este fatídico dia em que tudo poderia ter sido diferente e ainda poderíamos estar vivos, assim como o mundo, imperfeito, mas único.

Na passagem desse ano para o seguinte, os computadores entrariam em pane, com o que chamaram um dia de "bug do milênio", ou "bug do ano 2000", ou "bug em que os computadores não conseguiriam reconhecer o ano como tendo quatro dígitos, e sim apenas dois". Haveria um problema nos computadores que controlam a energia, o que causaria um blecaute que atingiria todo o planeta. A única luz que teríamos, durante algum tempo, seria a solar. Não haveria água potável suficiente, pois as companhias não seriam capazes de fornecer água tratada para toda a população mundial, que desapareceria gradualmente. Trilhões de dólares seriam perdidos em decorrência do caos global. Os antes milionários entrariam em desespero e se suicidariam. Assim como fariam os tantos fanáticos da seita "Heaven's Gate".

Como se não bastasse, surgiria um vírus no fim deste ano, criado por um "hacker" israelense que invadiria todos os computadores do mundo, de forma simultânea e efetiva, que destruiria todo e qualquer tipo de informação contida nos equipamentos, causando perdas sem igual. Como seria mutante, o vírus faria com que alguns computadores pegassem fogo, outros, com que emitissem raios cancerígenos através do monitor, e outros ainda seriam capazes de emitir sons estridentes que detonariam os tímpanos de todo o mundo, causando pânico generalizado.

Após todos esses acontecimentos, pode um dia os computadores adquirirem Inteligência Artificial e, dessa forma, desenvolverem um tipo de sociedade que controlaria as vidas humanas e tudo não passaria de um grande pesadelo do qual não poderíamos acordar. Como previsto e detalhadamente descrito em um filme entitulado "Matrix", o mundo real seria tão tristemente composto por máquinas que por mais que lutássemos para nos libertar, não estaríamos livres desse destino. Morpheus que o diga.

Parece não haver saída. Estamos fadados a morrer. Se nesse dia onze de agosto de mil novecentos e noventa e nove, quando ocorreu o último eclipse do ano, década, século e milênio, não desaparecêssemos, morreríamos de um jeito ou de outro, enfim.

Claudio Haruo Yamamoto é estudante do 3o. ano de ciência da computação da UFG.

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