Carta aberta aos homens de bem

Luís Cláudio Guedes

Os que achamos que este segundo mandato do FHC já foi mesmo pro beleléu somamos agora 59%, segundo a última pesquisa Vox Populi/CNT. É este o tamanho da indignação com a falta de rumos a que este governo nos encurralou a todos. Com o resultado desta pasmaceira, o noticiário político anda causando tédio. Quando não são as briguinhas por mais cargos e verbas na base aliada, é o ACM mostrando quem é que manda. A oposição não tem ajudado muito, silenciosa no seu blecaute de idéias.

A mentira tem pernas curtas, já ensinavam nossas avós. O governo se deu mal ao sustentar durante o primeiro mandato que o Real não seria desvalorizado. Com a crise cambial de janeiro e seqüência de péssimas notícias com que somos premiados a cada semana, desfez-se o encanto e o príncipe virou sapo. Para a classe média o inferno também é aqui. Obediência cega aos ditames do FMI e satisfação popular são objetivos inconciliáveis, como bem demonstraram estes aumentos dos combustíveis por conta do superávit na tal conta petróleo. O tarifaço de junho, após 5 anos de salários congelados, foi a gota d'água e prova a insensibilidade total com o sofrimento da nação.

Agosto vai chegando ao fim para um presidente desnorteado, e o que se vê, é o gáudio de ACM que deita e rola na mídia sempre ávida por um tititi. A propósito, o que é mesmo que a mídia tem a ganhar com a potencialização da força deste coronel? Governo fragilizado é um prato cheio para os grupos organizados da sociedade abocanharem seus vantajosos nacos de isenções, perdões, prorrogações e coisa que o valha. Primeiro, foi a Ford com o beneplácito do próprio ACM, depois os caminhoneiros, os agricultores e "la nave va". A nossa é uma república de espertalhões.

Só não sobra nada mesmo é para nós do povo. Aliás, sobra sim: o desemprego, a carestia, a violência, a desesperança. A constatação nua e crua de que, ao contrário daquilo que prometia um outrora prestigiado FHC, o paraíso Brasil não está ali na próxima esquina e, o que é pior, talvez nem chegue para os da nossa geração. Cada vez mais FHC se parece com Sarney, na agonia que foi os estertores do Plano Cruzado.

As decisões deste governo têm a consistência de um curau de milho. Fernando Henrique critica as taxas de juros que a agiotagem oficializada cobra dos correntistas incautos. É o cúmulo da cara-de-pau. Verdadeiro fosse este empenho pela chamada baixa do juros na ponta, o exemplo devia partir da Caixa Econômica Federal de do Banco do Brasil.

Este governo já anunciou em 2 ou 3 ocasiões a criação de um programa para renovar parte da frota nacional de veículos que anda por aí soltando pedaços de lataria no caos do nosso trânsito. Ficou tudo no campo das intenções. Tivesse a burocracia prevalecido quando do escândalo dos bancos Marka e FonteCindam, quem sabe o Brasil poupasse aqueles 1,5 bilhão de Reais. São dois exemplos, entre tantos, da inoperância que reina em Brasília.

A geração política a qual FHC pertence legou ao Brasil a normalidade democrática, nosso grande capital perante o Mundo. É de se lamentar que a sua frouxidão na condução dos rumos do País e a sua subserviência a um modelo econômico ditado pelo FMI colabore para o processo de desilusão atualmente em curso no imaginário popular. Será uma temeridade para a crença democrática o penoso arrastar deste governo-zumbi pelo longo tempo que ainda sobra do mandato. FHC dança o minueto com o inimigo, pois está claro que o seu sucesso não interessa ao PFL nem ao PMDB.

Quanto a nós da crescente insatisfação, exerçamos nosso direito de revolta. Vamos proclamar aos quatro ventos que a nossa paciência está no limite. O governo precisa ser informado, e a via do protesto é legítima sim, de que não é este o Brasil da utopia dos homens e mulheres que o controem. É preciso corrigir o rumo. Se FHC prefere sair do Planalto direto para a galeria dos vilões da pátria, o problema é dele. O que não dá mais é continuarmos presenciando calados a este duplo exercício da presidência.

Da minha parte, vou comecar assinando o manifesto do Brizola, que pode até ser uma idéia de jerico, mas já é um bom começo. Quem sabe a ameaça de despejo faça FHC sair do seu torpor e reduzir ACM à sua real insignificância. Um novo imperador no Brasil soa como piada de português. E das bem ruinzinhas. Que venha a primavera com suas flores e notícias melhores.

Luís Cláudio Guedes é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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