Os sapos e o idiota

Giordano Maçaranduba

Ninguém nasce idiota. Pode-se dizer que alguns (entre estes possivelmente o autor deste texto, mas, afinal, sem problema, é melhor ser idiota que ser medíocre) já nascem com uma incrível tendência genética para desenvolver a idiotice, mas quase todas são adquiridas com muito afinco já que a idiotice patológica é incrivelmente difícil de ser contraída. Alguns autores até dizem que é mais trabalhoso se manter idiota do que se manter inteligente. Acredito que deve ser igualmente trabalhoso se manter ignóbil ou sapiente, como o é permanecer louco ou racional (alguns autores ainda insistem em dizer que a racionalidade é a primeira instância da loucura, já ouvi dizer justamente o inverso).

Desculpe-me, leitor, eu volto ao assunto: a burrice patológica demanda um esforço incalculável tanto para adquiri-la, como para mantê-la, a inteligência também, mas sobre esta não falo pois não é assunto que domino. É interessante como os homens fogem de sua ignorância. Como se ela lhe fosse desfavorável, algo que em muitas circunstâncias é verdadeiro, mas que certamente é falso em potencial, nada mais falso numa arcádia como essa de gente tão sapiente, verdadeiros gênios, com fórmulas tão prontas, tão explicadas, tão verossímeis, que só pessoas que põem a inteligência em dúvida como eu poderiam duvidar delas.

Textos tão belos, tão clássicos, tão verazes, quase óbvios. Eu embora não os admire, (não gosto da lógica, da racionalidade, do indiscutível, prefiro o novo, o adogmático, o discutível, a contundente verdade desconhecida, a opinião individual sem respaldo intelectual), não tenho como negar a sua justificativa, a sua utilidade, a sua intenção, mas não as suporto, adoro as opiniões que lutam contra a unicidade do discurso que existe em nossa sociedade e que infesta o meio acadêmico atingindo os intelectuais (afinal todo mundo que entra na universidade já é intelectual, se for estudante de jornalismo então... infelizmente, talvez por minhas próprias limitações não consigo entendê-los, admirá-los, por favor... desculpem-me, clemência). Mas, enfim, talvez pela minha incapacidade intelectual, me sinto incapaz de admirá-los, venerá-los. É tudo que vos peço: misericórdia. Eu continuarei com a minha idiotice e a levantarei como facho ardente. Não tenho inteligência suficiente para admirar o óbvio, como seus autores intelectuais tanto admiram. É isso. Desculpa...

Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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