INTEGRAÇÃO: O que é isso?

Nívea Garcia

Um bom convívio é imprescindível para o equilíbrio psicológico e profissional de qualquer indivíduo. Já dizia Marx: "O Ser Humano é um ser social"; mas o que temos visto e enfrentado em nosso cotidiano revela-nos uma outra verdade: a extrema dificuldade que possuímos em aceitar as pessoas como elas são.

Temos a tendência de sempre acharmos que nossas atitudes e opiniões são as mais eficazes, esquecendo- nos de que possuímos determinadas particularidades que faz de nós o que somos, independente do julgamento alheio.

Não podemos impor nossas crenças e valores, mesmo que tenhamos convicção de que estes sejam os mais verdadeiros e corretos. As pessoas são criadas em realidades completamente diferentes e devemos levar em consideração que não compete à nós o dom da onisciência para julgarmos se as escolhas dos outros são ou não as melhores.

Se pararmos para perceber o nosso próximo poderemos compreender a multiplicidade de idéias e conceitos existentes neles, que os tornam seres misteriosos e especiais, capazes de enriquecer, e muito, as nossas vidas. Podemos observar as diversas maneiras de ver e agir diante de determinadas situações. Decisões tão diferentes das que nós tomaríamos e nem por isso menos eficazes.

As pessoas são verdadeiras caixinhas de surpresa, e conhecendo-as acabamos por identificar em nós mesmos características que nos aproximam ou não, mas que com certeza leva-nos a ter uma visão mais ampla do mundo; aqueles que descriminam simplesmente perdem a oportunidade de se encantarem por uma variedade tão grande de personalidades.

Quantas brigas já causamos, ou quantas amizades deixamos de conquistar simplesmente por não conseguir lidar com alguém diferente de nós? É sabendo lidar com estas diferenças que nos tornamos pessoas melhores, mais preparadas intelectualmente. Como ingressar num mercado de trabalho onde estamos constantemente lidando com pessoas, com problemas, e o mais complicado, com diferentes opiniões a respeito de como resolver estes problemas, se não damos a menor credibilidade para quem está à nossa volta?

Somos egoístas, achamos que as nossas atitudes são sempre as mais brilhantes, e pior, temos a maior dificuldade em admitirmos isso. Acreditamos que abrir mão de nossas opiniões é o mesmo que abrir mão de nossa personalidade quando, na verdade, o fato de sermos mais flexíveis nos dá a oportunidade de visualizarmos várias maneiras de resolver um problema, algumas delas até mais práticas do que as nossas.

Constantemente presencio discussões políticas, religiosas e ideológicas onde um dos interlocutores sempre está tentando convencer o outro a respeito de suas idéias. Está certo que não devemos ser omissos diante de certos assuntos, mas da mesma forma como estamos dispostos a falar aquilo que pensamos, também devemos estar preparados para ouvir o que os outros pensam.

Não somos perfeitos e também não temos razão em tudo aquilo que dizemos, nossas convicções podem ser loucura para os outros e vice- versa, é impossível convivermos de forma harmoniosa com todo mundo, mas a partir do momento em que tomamos consciência de que somos amados e odiados, temos defeitos, limitações e também genialidades como qualquer outra pessoa, com certeza será mais fácil e gratificante esta convivência.

É nisso que consiste a verdadeira INTEGRAÇÃO. Não custa nada tentar!

Nívea Garcia é estudante do 2o. ano de relações públicas da UFG.

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