FHC: o "home" vampiro

Júlio César de Paula

Sei que governar um país não é fácil, ainda mais quando é uma nação que se concentra no Terceiro Mundo, mas ter um monstro-presidente, que se confunde com um demolidor e devorador de riquezas e das perspectivas da população, não é digno de aceitação. Além disso, possuir comparsas da qualidade que o Congresso Nacional tem como Inocêncio de Oliveira e Antônio Carlos Magalhães, só podemos esperar ações anti-sadias, nada democráticas e sem nenhum exemplo de sabedoria. O que a gente pode perceber é que os parlamentares se reúnem semanalmente ou mensalmente (se é que fazem isso!) para planejar e arranjar mecanismos de saquear a nação sem que o povo saiba e sugar o pouco que ele tem. Ainda bem que o governo não consegue esconder as falcatruas, isso graças aos revolucionários e à oposição. Pena que os alucinados da vida, maioria em nossa sociedade, não perceberam isso até hoje e aplaudem as ações do "home".

Durante os quase cinco anos de gerência do "home", pouco foi feito de aproveitável e muitas desgraças aconteceram. A República, proclamada em 15 de novembro de 1889, parece que deixou de existir no dia 1º de janeiro de 1995, quando o dito cujo assumiu o poder. Não estaria mentindo se dissesse que estamos em um regime monárquico, principalmente porque de lá pra cá, um tal de Fernando Henrique Cardoso aparece na mídia com uma pose de um déspota bem esclarecido, de um rei, de um ser superior, acima do bem e do mal. Se apelidaram o Aloísio do Goiás de sangue bom, eu chamo FHC de vampiro-mau ou sangue-mau.

É estressante ver o país nas mãos de banqueiros e do Fundo Monetário Internacional, olhar a violência e a falta de segurança, ouvir que o desemprego está desenfreado e que 8% da população ativa do país está sem trabalho, ler em jornais que os juros aumentam a cada dia, escutar fulano falar que as micro e pequenas empresas estão quebradas, ver a saúde num caos sem definição, encarar a educação sendo deseducada pelos nossos governantes, perceber que o país importa mais do que exporta, observar as universidades públicas sucateadas para implicar numa privatização e assistir em telejornais ao elevado índice de impunidade, porque não existe justiça no Brasil.

O Zagallo falou pra gente engoli-lo na Copa do Mundo do ano passado, mas degustar o discurso messiânico de FHC de que o Real é uma moeda forte, que o Brasil vai melhorar a cada dia e só é uma questão de tempo, não dá. É inadmissível também ver a TV Cultura sair de São Paulo para entrevistar o "home" em Brasília no programa "Roda Viva". É mais difícil ainda de mastigar imagens de pessoas ou subnutridos no Nordeste morrendo de fome, enquanto milhares de quilos de alimentos são jogados fora no eixo Sudeste-Sul.

Aliados ao governo neoliberal, vêm os meios de comunicação, diga-se de passagem, a Rede Globo, que, junto com as outras emissoras, promove cenas imbecis, grotescas e medíocres, como se tudo no Brasil fosse "brincadeira de criança, como é bom, como é bom" e tivesse a mil maravilhas. Enfim, todas essas aberrações, e outras mais, ocorrem porque ainda o povo e os grandes revolucionários não tomaram o poder. O problema é que os brasileiros deixam o lema da nossa bandeira "ordem e progresso", sob o olhar de bandidos, ladrões e vampiros, que pisam na Constituição e fazem com que o povo adira às suas leis.

Júlio César de Paula é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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