Liquidação: vidas humanas

Claudio Haruo Yamamoto

Nunca havia se observado um nível tão elevado de violência quanto o que se nota agora. De forma análoga, nunca a vida parece ter tido valor tão insignificante quanto o tempo presente. Nos mais diversos aspectos da vida moderna, verifica-se uma degradação decrescente do nível do "bem-estar" das pessoas como um todo. Tal involução não parece ser fruto apenas da chamada mídia destrutiva, mas também da própria mente das pessoas, que deixam ser levadas pela ignorância e pela própria fragilidade da mente, uma espécie de atração pelo lado macabro.

Hitler não fez cerimônia para matar (judeus, nos campos de concentração nazistas). Por que faria Bill Clinton, ao se intrometer em assuntos étnicos alheios em outro país? Por que a OTAN (leia-se: Estados Unidos) erra tanto, matando de forma inocente kosovares e iugoslavos? Para fazer Milosevic recuar? Qual deles seria mais cabeça-de-bagre? Eis um exemplo do quão a vida é valorizada e preservada.

Não é somente nesse âmbito que ocorrem exemplos de atentados à vida, ou menções à destruição dela. Há pouco tempo, pôde-se presenciar maníacos de parques e de praias, bem como outros exemplares humanos entitulados enfermeiros e médicos que não hesitam em assassinar pacientes terminais ou em estado de coma, em hospitais, para o fim do sofrimento dos coitados pacientes? Seria a eutanásia um bem para a humanidade ou apenas mais uma forma de agressão à vida?

Pode-se imaginar centenas de situações nas quais se pode enxergar tragédias do tipo contra a vida, menos na área de entretenimento. O que acontece é exatamente o oposto, já que esse parece ser um campo frutífero para a disseminação do mau caráter do ser humano. É só percebermos que existem jogos como "Carmageddon", no qual o objetivo principal é matar o maior número de pedestres nos cenários. Atropelar velhinhas ou crianças oferecem bônus. A melhor coisa que se fez foi tirá-lo de circulação, proibindo sua venda. Regra geral, os mais vendidos são os que mais ferem a preservação da vida. Tome-se o exemplo dos simuladores de guerra.

Nas telas de cinema, de forma semelhante, assiste-se a um "boom" de filmes nos quais a vida chegou a um ponto de banalidade limite. Não é possível acreditar que se pode avançar mais que isso. Filmes educativos não chamam a atenção. Qual seria a solução que não apostar em filmes que retratam a vida (anti-vida) de forma a combinar um coquetel de nudez, sexo, drogas, violência e tudo o que é proibido (corrige-se: proibido significa tentador ao ser humano). Não seria momento propício para discutir se cenas como a de "Pulp Fiction", em que um personagem é morto, dentro do banheiro, sem motivo aparente e sem defesa, ou como a de "Oito Milímetros", em que uma jovem é filmada sendo morta para a confecção de um filme do tipo "snuff" devem ser aceitas? Mortes banais como em "Rambo" e filmes do gênero já parecem ter sido aceitas sem problema.

Minha esperança era de que esse alerta não estivesse sido feito tarde demais. Quem se importa? Na prática, o que vale é matar para não se deixar morrer...

Claudio Haruo Yamamoto é estudante do 3o. ano de ciência da computação da UFG.

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