Oscar 99, a revolta
Claudio Haruo Yamamoto
- Ainda tentando nos recuperar do "clima de final de Copa do Mundo" criada artificialmente pela mídia em volta da entrega das estatuetas na cerimônia do Oscar, podemos traçar alguns comentários acerca desse evento. Na 71ª edição do Oscar, a academia mostrou o quão falho é o método para escolha dos melhores desempenhos dos profissionais da área cinematográfica. É evidente que falhar é humano, mas o que ocorre é uma falta de respeito para com os profissionais que trabalham para receber o reconhecimento.
- Com o que eu disse até agora, todos concordam, ou pelo menos a maioria. Gwyneth Paltrow é o primeiro alvo. Num ano com atuações fracas - e somente por isso - Fernanda Montenegro, que não é amadora, foi indicada a melhor atriz. Arnaldo Jabor preferiu atribuir este fato como sendo um meio de "fazer média conosco, nós, os subdesenvolvidos que vocês (americanos) querem cooptar para seus planos (dos americanos) de manter a dominação econômica, sob o sórdido pretexto da globalização". Eu diria que foi apenas o começo, digo, um dia chegaremos a ganhar o Oscar, quando não mais houver atrizes "de língua inglesa", somente argentinas, chilenas, espanholas etc.
- Para um filme verdadeiro, puro, como "Central do Brasil", uma indicação ao Oscar foi pouco, todos concordam - afinal, somos brasileiros. O fato é: o concorrente era nada menos que o "abacaxi sedutor" (segundo o mesmo Arnaldo Jabor) chamado "A Vida é Bela" ("Life is Beautiful", ou se preferir, "La Vita È Bella", para meu texto não ficar "americanenjoativo"). Esta obra traduz, de forma ingênua (e trágica), uma história bem-intencionada de Guido, num ímpar desempenho do ator Roberto Benigni. Atores dramáticos ficam famosos em filmes dramáticos bem feitos, comediantes, em de comédia - apesar do fato de Jim Carrey não ter ido tão mal assim em "Truman Show - O Show da Vida". Roberto Benigni fez bem o papel do personagem mais adequado a ele - o que ele mesmo criou. Não há profundidade psicológica implícita, apenas a ingenuidade da história que seduziu uma boa parte dos que decidiram o vencedor de melhor filme - os membros da academia. A mim também, bem digo.
- Quem disse que o Oscar é um círculo fechado? Ele é aberto, só esperando uma oportunidade para que eles (os americanos) mostrem que eles ganham não porque são os únicos, mas porque derrotaram aos outros - italianos, espanhóis, brasileiros etc. (mesmo que dessa forma como vimos). Portanto, não nos iludamos.
- Uma sugestão à academia: tenha dó dos eternos derrotados - não faça como na entrega do Oscar de melhor filme de língua estrangeira. Estava mais que óbvio, mesmo para um estudante de ciências da computação, que vocês (americanos) estavam querendo nos humilhar.
Claudio Haruo Yamamoto é estudante do 3o. ano de ciência da computação da UFG.
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