Em defesa do que é ruim

Luiz Roberto Cupertino

Há tempos esse simpático jornal traz, quase que milagrosamente, críticas abundantes aos apresentadores Ratinho, Leão e associados. Pois gostaria de declarar que eu os adoro. E esse texto é dedicado a eles. Me divertem muito.

A tirania que pensa que a televisão é objeto de vanguarda certamente buscará por pistoleiros, procurarão meu endereço, tentarão me aniquilar. Gosto do Ratinho. Ele é legal. Os tiranos querem que ele desapareça. Aliás a diretoria da tirania quer resgatar a verdadeira cultura. Ora, não gostam de qualquer um. São fãs do Paulo Henrique Amorim. Não sabem eles que quando não se gosta de um programa pode-se apertar na televisão um botão que faz com que o canal indesejado se vá e um mais cultural se estabeleça. Não é necessário que a televisão seja apenas um ícone da alta cultura. Deixem o Ratinho em paz. Ele é legal. A multiplicidade de opções é algo interessante. Mas querem retirar os infratores. Eles sujam a televisão. Ora, mais uma vez, se não gosta, não assiste. Se não assiste, não tem razão para se preocupar. Na minha televisão eu assisto o que eu quiser. Até concurso de dançarina, tema esse que já rendeu estudos aprofundados, de alta importância, neste mesmo jornal.

Busquemos preencher as folhas deste jornal com reflexões mais importantes. Chega de dizer que a televisão é má, muito má. Tirem as crianças da sala. Deixem as dançarinas rebolarem, deixe o Ratinho se divertir, não fiquemos com inveja do seu salário. O Leão é um cara legal, até chora no ar. Se você não quer ouvir pagode, não ouça. Tem gente que gosta. Se não quer ver o Ratinho, não veja. Tem gente que assiste. Deixem, jornalistas, de se fingirem preocupadíssimos com o rumo da cultura televisiva. Sejamos sinceros. Quem é aquele que, quando sozinho na sala, não teve a mão coçando para ver aquela confusão no Ratinho, mas teve de desistir, pois alguém entrou e você, "só passando pelos canais", teve de revigorar sua postura de intelectual comentando: " Esse programa é uma baixaria mesmo..."?

Deixemos as preocupações com a "baixaria" de lado. Já li muitos textos dos tiranos, e não tenho mais paciência. Se há duas coisas que eu não agüento mais ler é crítica às dançarinas de pagode e crítica aos programas de auditório. Por isso agora eu os adoro. Não por razões íntimas, mas porque deixei de gostar dos seus críticos.

Luiz Roberto Cupertino é estudante do 4o. período de filosofia da UCG.

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