Melissa, Melissa, por que me persegues?

Luiz Carlos Lodi da Cruz

Chegou às minhas mãos, na edição de janeiro de 1999 do Jornal INTEGRAÇÃO, um impressionante artigo da estudante de jornalismo Melissa Cristina Rodrigues. Impressionou-me o zelo com que defendia suas idéias, assim como a habilidade em dar uma boa forma ao texto.

Entristeci-me, porém, ao ver o amargor de suas palavras, que contrastam com a doçura do seu nome. Em seu ardor por atacar a Igreja Católica, Melissa se assemelha a Saulo, que, tendo obtido autorização do sumo sacerdote, caminhou em direção a Damasco a fim de prender a todos os que fossem seguidores de um certo Jesus de Nazaré. "Estando ele em viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente uma luz vinda do céu o envolveu em claridade. Caindo por terra, ouviu uma voz que dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?' Ele perguntou: 'Quem és, Senhor?' E a resposta: 'Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo'" (At 9,3-5). Saulo poderia retrucar: "Senhor, não é a ti que eu persigo, mas a tua Igreja". Mas, se o fizesse, Jesus lhe responderia: "O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes" (Mt 25,40). Na verdade, atacar a Igreja de Cristo é o mesmo que atacar Cristo.

Ao dizer que "a Igreja é o fascismo em forma de religião", Melissa poderia ser mais clara e afirmar: "Jesus é o fundador do fascismo".

Ao invés de chamar a Igreja de "machista", por não administrar o sacramento da Ordem às mulheres, Melissa deveria reclamar com Jesus, por não ter incluído mulher alguma entre os seus doze Apóstolos.

Ao invés de criticar os padres e freiras que abraçam livremente o celibato, Melissa deveria criticar Jesus, por ter sido celibatário e por ter elogiado os "que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12).

Quanto ao homossexualismo, caberia a Melissa criticar o Criador por ter feito o ser humano com dois sexos, distintos e complementares (Gn 1,27), ao invés de tê-lo feito assexuado. Caberia a ela criticar a Deus por ter destruído a cidade de Sodoma, pervertida pelo vício contra a natureza (Gn 19). Caberia a ela censurar a Escritura, que, repetidas vezes, condena o homossexualismo (Lv 18,22; 20,13; Rm 1,24-27; 1Cor 6,9-10). Caberia a ela criticar Jesus que, depois de perdoar a mulher adúltera, não lhe ofereceu um "preservativo" para que ela pudesse cometer um "pecado seguro", mas lhe disse: "Vai, e de agora em diante não peques mais" (Jo 8,11).

Melissa duvida que haja algum católico que pratique a castidade. Que tal se ela fosse a primeira? Melissa duvida que haja algum casal que use o método natural de regulação da fertilidade. Que tal, se ela e seu (futuro) marido fossem os primeiros? Ao invés de atirar pedras contra a Igreja Católica, por que não ingressar nela e pôr verdadeiramente em prática os ensinamentos de seu Fundador?

Ainda que Melissa se una à multidão enlouquecida para dizer a Pilatos "Crucifica-o! Crucifica-o!", Jesus, com os braços estendidos na cruz, lhe diz: "Pai, perdoa-lhe; ela não sabe o que faz".

Se, porém, por um prodígio da graça, Melissa se converter ao Cristianismo, talvez ela se torne alguém semelhante a São Paulo, espalhando o Evangelho de Cristo por toda a parte e morrendo mártir em favor da Igreja que antes perseguia. Quem sabe?

Luiz Carlos Lodi da Cruz é padre e presidente do Pró-Vida de Anápolis-GO.

Mande um e-mail para Luiz Carlos Lodi da Cruz ou para a direção do jornal.

Primeira - Anterior - Próxima - Última

© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
1