Querida Amiga

Cleyton Boson

Tenho dificuldades em escrever esta carta. Talvez por nunca ter tido um ex-amigo, tenho, sim, muitos amigos distantes, amigos sacanas e até amigos imaginários. Mas os acontecimentos dos últimos dias me obriga a escrever-lhe.

Minha cara ex-amiga, quero deixar bem claro que o "ex" é por sua conta, nunca lutei contra demônios por donzela alguma. Amei, sim, e com toda a força de minhas células, uma mulher de carne e osso cheia de defeitos, os quais nunca deixei de notar, mas que possuía uma capacidade ou uma magia de me fazer brilhar os olhos e aquecer minha alma. Perdi, e os amores se perdem não se sabe como. E os amantes se deixam e a vida segue seu sonho. Reconheço que não soube lidar com a situação, reconheço que enlouqueci quando vi a estrada escura e um vazio imenso roendo-me os órgãos e doendo-me a carne. Era preciso gritar, era necessário fugir. Não encubro nenhum de meus erros mas a verdade é que em nenhuma de minhas ações eu feri ou desrespeitei alguém.

Quando você coloca os seus "delírios" no papel, não está dialogando. O outro pode discordar do que você escreveu, pode até parar de ler. Mas o que está escrito permanece o mesmo, incólume, isso não é diálogo. E falando em diálogo, não fui eu quem criou a nossa lei do silêncio e, para provar que esta acusação de não me abrir ao diálogo é falsa, te convido a tomar uma cerveja e conversar sobre metafísica, amor, ódio e loucura. Ah! Os demônios e a donzela também estão convidados.

Com todo o carinho do mundo, C.B.

Cleyton Boson é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.

Mande um e-mail para a direção do jornal.

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