O padre é pop, o pop não poupa ninguém

Manoel Rubens Miguel

Como se não bastasse agüentarmos diariamente a presença irritante do "padre Marcelo Rossi" no rádio e na TV, vira e mexe nos deparamos com matérias impressas o criticando, o que também se tornou uma chatice. Desculpem-me, mas eu não poderia deixar de parabenizar minha amiga Melissa Cristina Rodrigues pelo seu texto no último INTEGRAÇÃO, com o qual ela mostrou exatamente a verdadeira face do padreco, como ela mesma disse: apesar do que aparenta, é uma múmia viva; tradicional ao extremo.

Mas o que realmente me surpreendeu em seu texto foi a crítica à igreja, chegando a afirmar que ela seria a encarnação do fascismo em forma de religião. Muitas pessoas na universidade não concordam, acredito porque não entenderam. Bom, tentarei explicar melhor exemplificando: imagine-se judeu durante a 2ª grande guerra, querendo viver em paz em sua região, onde nasceu e cresceu, mas não podendo, pois nesta existe uma outra etnia que se julga superior e no direito de submeter a si outras etnias. Agora, imagine-se homossexual querendo não esconder o que é dentro de sua própria comunidade, mas não podendo, pois nesta existem "etnias religiosas" (católicas, protestantes etc.), que se julgam superiores e no direito de repudiar outras "etnias".

Acho que nem seria necessário dizer mais nada, mas faço questão: sim, a igreja, realmente, é o fascismo em forma de religião. Uma instituição pretensiosa que há séculos impõe às pessoas o que é certo, o que é errado; afastando-as da razão e estabelecendo normas de conduta fantasiosas, as quais nem preciso citar, pois todos nós, mesmo que inconscientemente, as respeitamos. Isso devido ao "sagrado terrorismo ideológico" que nos corrompe desde pequenos, que faz com que levemos conosco um eterno sentimento de culpa e temor ao que nos acontecerá após a morte quando supostamente cometemos algum "pecado".

Pense comigo, se para os católicos, por exemplo, o pecado não tem dimensão, ou seja, um assassino e um adúltero têm o mesmo e eterno grau de culpa, a menos que se "arrependam verdadeiramente perante Deus"; e ela então, a igreja católica, que até hoje não demonstrou arrependimento pelo que fez durante a inquisição. Não estariam seus membros, assim como os homossexuais e os adúlteros, condenados ao fogo do inferno onde queimarão eternamente?

Bem, voltando ao padreco, coitado, este não é nada mais que um ícone das reformas que o falido sistema católico apoiou para tentar sobreviver à virada do milênio. Mas, felizmente, é visível que seu sucesso como pop star está com seus dias contados, pois, obviamente, mais cedo ou mais tarde, as pessoas cansadas do tradicionalismo, perceberão que, na verdade, nada mudou. Isso, lógico, com a ajuda da mídia que vem fazendo o favor de encher o saco até dos próprios católicos com a aparição constante do padreco com suas músicas ridículas e igualmente insuportáveis.

Enfim, quero novamente demonstrar minha admiração à escritora Melissa Cristina Rodrigues pela sua coragem de escrever o que escreveu em uma época em que ainda as pessoas estão hipnotizadas pelo hit: "Erguei as mãos e daí glória à Deus, erguei..." Valeu Mel!

Manoel Rubens Miguel é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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