A perfeição é toda sua e a mediocridade não é minha
Giordano Maçaranduba
- "Grande é o homem que não se apequena diante dos obstáculos". Esta parece uma daquelas frases de efeito romanas, mas não é, pertence a um psicólogo americano. Daí surge a pergunta: será que ele está certo? A primeira vista a grandiloqüência da frase nos parece correta, mas será que em determinados momentos não é necessário ser pequeno para melhor reagir a uma dificuldade? Será que as vezes uma reação passiva como a proposta por Gandhi não surte melhores efeitos que uma guerra declarada?
- Assim o que nos parece nem sempre é {( ou melhor, a experiência demonstra que o que nos parece quase nunca o é mesmo) o Sócrates platônico já pregava que as sensações são profundamente enganadoras}. Ô, peraí. Desculpa. Não estou dizendo que devamos ignorar as sensações. Não me taxem de louco. Nunca proporia uma besteira dessa. Seria uma coisa inconcebível. Apenas proponho que tenhamos consciência da periculosidade das impressões. Ter consciência não significa ignorar, mas dar a devida importância ao componente dentro do nosso raciocínio.
- Não levar em consideração as sensações simplesmente significaria alienar uma das áreas mais básicas e importantes do espírito, mas sobrepor a impressão à razão seria uma grande loucura como seria sobrepor a razão à emoção. O homem é composto de razão e emoção. Até agora tivemos muitos e maravilhosos loucos propondo coisas como o racionalismo, o belvedere, a metafísica, o ocultismo, o arcadismo, o panteísmo, o neo-realismo, ações e reações em direção ao racionalismo ou ao impressionismo.
- O equilíbrio entre essas duas primordiais características é algo que com certeza nos escapa diariamente (felizmente porque nada é mais medíocre do que o equilíbrio, aliás é preferível até ser idiota do que ser medíocre, pessoalmente eu prefiro). Peraí. Foi mal. Tudo o que foi dito não nos livra da procura do equilíbrio, pois este como objetivo ideal é a perfeição. O que ocorre é que o homem invariavelmente encontra em vez da perfeição a mediocridade. A busca da perfeição (segundo as próprias concepções de quem procura) deve ser o objetivo central de qualquer pessoa sensata, a mediocridade é o maior perigo neste caminho. A mediocridade é a busca da perfeição proposta pelos outros. A sabedoria é a procura de sua própria perfeição segundo seus próprios conceitos.
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
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