Entre a malícia e a ambigüidade
Vanessa Chaves Vieira
- Já dizia o filósofo que um ser humano pode ser um completo enigma para o outro. Entretanto, com a grande profusão de gírias e metáforas que povoam nossa língua, a convivência pode se tornar ainda mais difícil se você não as usar nos contextos mais adequados. Por isso, para evitar maiores problemas, siga alguns conselhos práticos.
- Se você é casado e, ao passear na rua, sofrer um acidente nas pernas, não chegue em casa contando que bateu a coxa. Sua esposa pode entender que você andou visitando algum outro lugar além do hospital.
- Quando for fechar algum negócio ou fazer um empréstimo, ainda que a temperatura tenha baixado, não diga que está com o pé frio. Seus pretensos sócios poderiam desistir da negociação.
- Num aniversário, por mais competente que você seja na cozinha, evite dar o bolo.
- Ainda na festinha de seu amigo aniversariante, se você é ansioso e precisa de calma para se alimentar, faça um esforço para não comer quieto.
- Mesmo que sua esposa seja um primor, quando estiver na rua, nunca diga que tem uma jóia em casa. Se algum ladrão desavisado não captar a metáfora, você pode estar colocando a sua residência em perigo. Isso, sem falar no caso do rapaz que numa paquera deu um telefone e foi preso por agressão física.
- Ao encontrar um(a) ex-namorado(a) acompanhado(a), ainda que você machuque o braço, contenha-se antes de dizer que está com dor no cotovelo.
- Cautela nos aparentemente inocentes passeios no campo; sempre há a possibilidade de receber um abacaxi, ter de descascar um pepino, enfiar o pé na jaca ou escorregar no quiabo... além de eventualidades como ter de matar a cobra e mostrar o pau ou, em meio ao tédio, se ver penteando macacos. E faça o favor: se quiser espantar o desânimo, não vá catar coquinhos.
- No supermercado, todo o cuidado é pouco na seção de brinquedos. Sentar distraidamente na boneca pode dar pano pra manga sem que você vá a costureira.
- Por fim, acerte o passo e ande na linha para não cair de boca; do contrário, você pode se ver obrigado a colocar as barbas de molho ou a ir para a geladeira.
Vanessa Chaves Vieira é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Vanessa Chaves Vieira ou para a direção do jornal.
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