Simplesmente mulher

Pablo Hernandez Alcântara

A mulher comum não é uma atriz nem uma cantora. De tanto brincar de mãe, afaga e apedreja o homem. Umas mais, outras menos. Seu corpo é berço e cama. Ao homem resta ser encaixotado e depois cuspido. Ao homem resta aceitar a dádiva de ser um brinquedo vivo. Ao homem resta vingar a condição dependente. Resta tornar o mundo só seu. Ele pensa que manda. Ele pensa ser Deus entre o céu e a terra. O Deus homem. Porém é tão asno quanto a distância que separa o céu e a terra. Ele não enxerga a soberania da mulher. Soberania escondida em teu seio. Eterno apêndice. Eterno gosto em nossas bocas. A mulher abraça o mundo com as pernas. Suas mãos livres afagam a cabeça do menino Deus. O menino Deus quer brincar de papai e mamãe. O homem não controla o desejo de nascer de novo. Só os santos eternos. Sozinho ele não é nada nem o mundo é só seu. Ele é só. E de braços e pernas abertas ela permite. A mulher ideal é maior entre todas as outras. Por simplesmente ser ela mesma. Sem querer ser igual ao homem. Desconjura!!! Por simplesmente ser ela mesma. Sem pano e sem máscara. Ela sabe o que sua história pode fazer. A mulher comum se valoriza como mulher. Ela simplesmente é mãe de todos os homens. Delicadeza.

Pablo Hernandez Alcântara é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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