FHC: mais uma escolha errada
Larissa Gonçalves
- O brasileiro é acima de tudo um forte (não querendo plagiar a frase de um grande escritor da literatura brasileira...).
- Quando ainda existiam apenas índios por aqui, nosso ancestrais sofriam com a dominação portuguesa. Posteriormente, mais dominação dos reis e imperadores de Portugal. Depois, república do café-com-leite, coronéis e fazendeiros governando o país como se este fosse suas fazendas particulares. Golpe de Estado, implantação do Estado Novo. Quando achávamos que teríamos uma real democracia, veio a ditadura, a repressão, as torturas, o AI-5 (que foi aniversariante no último dia 13 de dezembro, completando 30 anos desde a sua promulgação). Novamente uma tentativa de democracia, que se mantém até hoje, pelo menos na teoria. Mas o Brasil não teve sorte na escolha de seus presidentes.
- Prova disso são os sucessivos desastres que os brasileiros vão descobrindo e esquecendo com o passar dos anos. É desnecessário relembrar o Plano Cruzado, o impeachment e toda a sujeira dos últimos anos. Talvez o presidente menos suspeito tenha sido Itamar Franco, que ficou por pouco tempo no cargo. Sarney também não foi tão mal, porque fez o que já se esperava de um político como ele.
- A decepção maior fica por conta de Fernando Henrique Cardoso, ou FFHH, ao modo de Elio Gaspari (e talvez FFFHHH, não se sabe). Ele não tem correspondido às expectativas dos seus eleitores (pelo menos dos mais conscientes). Quando foi eleito presidente, dizia-se que ele era o mais intelectual a assumir tal cargo no Brasil. Afinal, o candidato-sociólogo havia lecionado na Sorbonne, universidade francesa conhecida mundialmente, havia sido senador, havia defendido o processo das eleições diretas, fora ministro e, o mais importante, criara o Plano Real. Estava, portanto, acima de qualquer suspeita.
- Mas eis que essas suposições desmoronam. Os brasileiros (novamente, os mais conscientes) descobrem que essa onda neoliberal que FHC tanto pratica, mas diz que não pratica (seu partido alega ser social-democrata, o que não ocorre), é igual ou pior que as outras anteriores. Vêm os escândalos, o Sivam, a pasta rosa, a compra de votos para a reeleição, o desvio da CPMF, a infinidade de medidas provisórias, as contradições entre o que ele condenava e hoje aprova, o seu ministro que privilegia uma empresa em detrimento de outra no leilão de uma estatal, a idéia absurda de transformar a universidade pública em paga. E mais outros disparates, como o pacote que corta verbas em setores prioritários, em prol do canibalismo dos americanos do FMI, que aparecem como o herói que salva a mocinha do bandido no filme. E o presidente aplaude, como se essa situação fosse da mais justa diplomacia.
- Tudo isso leva-nos a concluir que nós não sabemos escolher nossos representantes, por falta de opção ou por ignorância. Ou por falta de sorte mesmo, que vem desde muito tempo. De qualquer forma, é lamentável constatar que um cidadão que teve todo acesso ao conhecimento e conseguiu um cargo para colocá-lo a favor de todos nós, fez e vem fazendo exatamente o contrário.
Larissa Gonçalves é estudante do 2o. ano do 2o. grau do Colégio Dinâmico de Goiânia.
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