Qual violência é maior?
Eduardo Horácio Jr.
- A revolução cubana completa esse mês seus quarenta anos. É a revolução que prometeu ser a primeira de várias na América Latina. Não foi. Conseguiu apenas ser a única e, por isso mesmo, difícil de ser tocada adiante em um continente de hegemonia norte-americana.
- Assim mesmo, a ilha de Fidel Castro surpreende. Consegue manter, apesar do obstáculo da lei norte-americana Helms-Burton (que permite sanções até a empresas de terceiros países que negociem com Cuba), um sistema de saúde invejável e um modelo de educação exemplar.
- Fora isso, Cuba vai mal. Bom, parece fácil condenar o sistema atual já que nada justifica um governo de quatro décadas sem uma eleição direta sequer e com muitos presos políticos. Mas muito mais condenável é o comportamento dos Estados Unidos na situação.
- Ou alguém consegue explicar por que a China, que matou quase dez mil pessoas no massacre da Praça Celestial, continua sendo a nação do mundo mais beneficiada no comércio com os Estados Unidos? E as ditaduras da América Latina? Quem as apoiou?
- Além dessa falta de critério, vale lembrar que o embargo econômico é ineficiente. Se Fidel Castro sobreviveu até ao desaparecimento da URSS, porque não sobreviveria ao embargo? Isso só serve para endurecer o regime cubano e maltratar seu povo.
- Ao determinar sanções para qualquer empresa, de qualquer nação, que queira comerciar com Cuba, os americanos fazem algo que ninguém no mundo os autorizou. O embargo, algo já condenável pelo mundo inteiro, é mais ilegítimo ainda quando se analisa as condições morais de quem o promove. Qual violência é maior: a praticada pelo presidente cubano ou a feita por Washington?
Eduardo Horácio Jr. é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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