Kajuru, Adolfo e outros "Manés"

Guillermo A. B. Rivera

Eu sou mesmo um sujeito esquisito. Primeiro eu escrevo um artigo defendendo a "classe" dos cronistas esportivos. Agora eu escrevo um criticando?

Mas eu já havia dito que um dos maiores problemas da crônica de esportes é o espírito de amadorismo que impera no meio. É o que tira a pouca credibilidade que esta categoria do jornalismo tem. E, não sei por que, ultimamente isso vem me irritando muito (falou o "grande profissional". Ah, deixa isso pra lá...)

O maior problema decorrente deste amadorismo é a briga imbecil entre o eixo Rio-S.Paulo e o resto do Brasil. Isso é um claro reflexo da paixão clubística dos que trabalham no meio. Ou seja: se o repórter ou comentarista torce para um time de fora do eixo, ele considera o futebol destes Estados menos bonito e técnico que o do seu Estado respectivo (ou ineficiente, se o sujeito for sulista), e acha que o Arapiraca é o maior revelador de talentos do Brasil, e só não é maior por culpa dos dirigentes.

Se ele for torcedor de um time do eixo, então a coisa piora. Basta ver o caso Luís Felipe Scolari. Na época do Grêmio, ele era "sargentão", um técnico "grosso" e "retranqueiro", que só ganhava com times violentos e limitados. Agora, no Palmeiras, ele é um treinador "moderno" e "vencedor". E o Felipão não mudou nada, tanto que levou meio Grêmio para São Paulo. Só que, agora, ele é "o melhor técnico do Brasil", não como Levir Culpi. Para a imprensa paulista, Levir foi "injustamente" eleito o melhor técnico do ano pelos seus colegas de profissão. Detalhe: Culpi é treinador do Cruzeiro, de Minas!!

Fugindo deste raciocínio, há ainda a contratação de jogadores e pessoas sem diplomação, algo freqüente no jornalismo - aliás, ótimo artigo, Luiz Augusto Macêdo ( "Jornalistas ou artistas? Eis a questão"). Isso chega a ser obsceno. Vamos perder nossa vaga para um "craque" que repetia dois ou três chavões após os jogos, e agora vai fazer isso na TV ou no rádio...

Chavão nº13: futebol é momento. É, e parece que o atual da crônica esportiva é péssimo!!

P.S.: Da série "Perguntar não ofende": a carga horária semanal da Ascom (Assessoria de Comunicação Social da UFG) é de 20 horas. A da Rádio Universitária também, além de 3 horas extras. Então, por que a Ascom paga 100 reais, e a Rádio 80??

Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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