Grande jogo!
Guillermo A. B. Rivera
- Tudo bem que muitas outras coisas interessantes aconteceram no esporte neste mês que passou (novembro). Mas não adianta, leitor do Integração. O assunto do mês foi a Final do Mundial Interclubes entre Vasco da Gama e Real Madri, que aconteceu em Tóquio no dia de abertura do mês de dezembro. E é este o assunto da minha coluna de hoje.
- Primeiro gostaria de ressaltar o pré-natal do jogo. Há anos que não se fazia uma mídia tão grande no Brasil de um jogo de clubes. Claro, era uma equipe do Eixo Rio-São Paulo envolvida! Para efeitos de comparação, utilizo como exemplo o destaque dado pela revista Placar ao jogo (aliás, estou cada vez mais arrependido de ter assinado esta publicação!). A capa da edição do mês de agosto estampa o capitão cruzmaltino Mauro Galvão beijando a Taça Libertadores e com um título discretíssimo : "Agora o mundo". A edição de novembro dedica várias páginas à partida, aliás, a capa é "Que jogo ! - O que o Vasco vai fazer para ganhar o Mundial". Vocês podem pensar, "e daí pô, o Vasco é Brasil, mata os gringos, Arnaldo, plim-plim". Mas aí entra uma pergunta. Por que o Grêmio campeão da Libertadores em 95 e o Cruzeiro campeão em 97 não receberam este destaque? Aliás, há apenas umas poucas folhas da revista no assunto.
- Aí entra a segunda pergunta. A equipe do Vasco não perdeu para nenhum time chulé, vá lá, o Seedorf comeu a bola e o Nasa deve ser rubro-negro infiltrado. Mas será que faz sentido a importância quase insana que nós sul-americanos damos ao evento? Os europeus seguem com seu calendário normal, chegando a Tóquio em cima da hora, enquanto que os sul-americanos fazem pré-temporada e o escambau para enfrentar o poderosíssimo adversário. Daí surge um medo, uma falta de criatividade quase que absoluta em nossos jogadores, que estão inibidos. E os europeus, relaxados, ganham, às vezes de equipes superiores (o River de 96 era mais time que a Juventus). No jogo do Vasco, que jogador jogou bem? Felipe. Quem mais? Ele não é o único craque da equipe, crianças.
- Portanto, minha intenção desde o começo não era fazer a análise do jogo em si (eu ouvi um "Graças a Deus" aí?), mas criticar a importância desmedida do jogo para nós, latinos. Enquanto o Vasco tem que fazer terapia coletiva para esquecer a tragédia de Tóquio (sem se lembrar que ganhou uma Libertadores no ano do seu centenário, o que não é pouco!), o Real pensa em seu próximo adversário no Espanhol. Adversário este que provavelmente nem vai respeitar o Real por ser campeão da Copa Toyota, se é que ele vai saber disto.
P.S.: Ah, só a saideira: o título foi irônico, tá?
Guillermo A. B. Rivera é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Guillermo A. B. Rivera ou para a direção do jornal.
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