Onde estão os milagres?
Wildener Monteiro Rodovalho
- Gostaria de discordar do artigo "A comercialização da fé", publicado em agosto neste jornal e escrito por Nazareth L. de Paula. A minha opinião se confronta totalmente com a desta estudante de jornalismo. No texto, não houve simplesmente a preocupação com a crítica à fé dos crentes, mas também ao poder, à justiça, à bondade e à soberania de Deus.
- Primeiramente, faz-se necessário dizer que a fé dos crentes ou dos evangélicos é baseada na própria palavra de Deus, representada pela Bíblia Sagrada. Esta poderia ser definida como a vontade divina sobre os homens, a fim de que estes obtenham paz, pratiquem a justiça e o amor e tenham um contato direto com Ele mediante a santificação. A Bíblia também conta a história de um homem que foi responsável por grandes mudanças de valores na sociedade - do valor dos bens materiais para o valor dos bens espirituais e da importância de uma elevada posição hierárquica para a completa igualdade diante dos olhos de Deus. Esse homem é Jesus.
- Partindo da crença dessas pessoas na Bíblia, temos que analisar o que exatamente ela contém para sabermos se o que é praticado condiz, pelo menos, com suas palavras. Está escrito que Deus não pode mentir e, se Ele não pode mentir, só pode dizer a verdade. Portanto, deveria ser fácil concordar com Ele. Concordância com Deus significa "fé". Está escrito, também, que Deus é um ser eterno, sem início nem fim, algo impossível para a nossa mente humana entender. A sua personalidade, hoje, é a mesma dos tempos antigos. Tudo o que Ele fazia lá pode fazer hoje, aqui. O que acontece, então, para não vermos a sua atuação? De vez em quando a mídia reporta um ou outro milagre. Mas eles são muitos: cegos estão vendo, surdos estão ouvindo, paralíticos estão andando. Como isso pode acontecer? Através da fé.
- Mas por que esses milagres não são tão grandes e visíveis como aqueles contados pela Bíblia? Por que o Mar Vermelho não se abre novamente? Ora, estamos num momento histórico completamente diferente dos tempos de Moisés. As pessoas, em geral, se preocupam mais com sua vida aqui na Terra do que com sua vida espiritual. A Bíblia mesma diz através das palavras de Jesus: "E por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará." (Mateus 24.12) É exatamente esse o motivo de Deus responder a alguns e não a todos. Se não se sente o amor, não se pode ter fé. Mas a graça divina é estendida a todos os homens. O homem é que não toma posse dela. O mundo se encontra na situação atual porque Deus deu ao homem a liberdade de agir por si próprio ao deixá-lo tomar conta da Terra e de si mesmo. Como esse se esqueceu das leis divinas, as coisas foram piorando e tendem a piorar mais ainda, porque à medida que descobre a criação, o homem pensa que está tomando o lugar de Deus.
- A Palavra de Deus permite ao crente que peça bens materiais no seguinte sentido: Jesus disse: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas." (Mateus 6.33) "estas cousas" significa, nesse contexto, necessidades materiais básicas (alimento, roupa, teto). Está escrito: "... porque é Ele (Deus) que te dá força para adquirires riquezas." (Deuteronômio 8.18) A palavra "riqueza" significa capacidade financeira de cumprir com as obrigações. Ele não prometeu nos tornar milionários.
- Portanto, se a Palavra de Deus continua atual nesse momento, não há motivo para duvidarmos dela, tampouco, do poder de Deus. Ela é a verdade e permanecerá até o final dos tempos.
Wildener Monteiro Rodovalho é estudante do 3o. ano de ciência da computação da UFG.
- Mande um e-mail para Wildener Monteiro Rodovalho ou para a direção do jornal.
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