Satin, Harvest e Havoc (Série 1 de 3)

Alenor Alves Jr.

Satin: Tudo parecia bonito, revestia-se o todo por uma riqueza de matizes no tratamento das conversas, nos diálogos repletos de sentimentalismos, voluntarismos, dignos de militantes de ONGs politicamente corretas. Os olhares seguiam furtivos a toda essa finesse, condicionados por uma conduta... E o pensamento tentava alcançar uma dica para saber se a outra pessoa estava na mesma sintonia ou fingia. Mas será que o sinal avançado seria esquecido, ignorado por tanto distanciamento e a aproximação ficava distante por meio de caminhos obscuros.

Surge a oportunidade de saírem juntos. Ele não via a hora de sinal amarelo poder antecipar o displicente e demorado alerta verde. Não há daltonismo, a cerveja é dourada, a mesa é branca, os lábios dela delineados, abundantes... Mais a aproximação é cerceada, tolhida, censurada. Algo estava errado. Argumentos: não costumava fugir da cota, das duas cervejas. A sua companhia fazia parte de um metiê mesquinho, parte integrante da espera, e era sexta à noite. Penélope esperava Ulisses, talvez um "Uiisses", ou um conquistador. Existia dor de cotovelo, pontas, e ele... Talvez estivesse inflamado com sua "roda".

A máscara social conseguiu se juntar ao cetim e formar uma veste da falsidade canhestra na qual percebia estar participando como um mero coadjuvante... O cetim embeleza, mas tampa, cobre, esconde: a pele, o desejo, a libido, o tumor, líquido intersticial, a pulsão.

(continua na próxima edição)

Alenor Alves Jr é estudante do 4o. ano de radialismo da UFG.

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