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Fabrício Magalhães Gonçalves

É incrível como notamos a capacidade de algumas pessoas ou coisas para dizer e repetir fatos que já cansamos de ouvir e deduções elementares em que o autor se maravilha com sua conquista retórica.

Existe sofisticação para construção de coisas iguais ou já existentes, tecnologias são desenvolvidas, palavras são readaptadas, parece só haver espaço para criação, invenção ou criatividade.

Esse desenvolvimento linear começa cedo na nossa própria formação educacional. Aprendemos sempre fórmulas prontas que se desenvolvermos resultará em algo concreto ou dentro dos padrões. 2+2=4, x=a+b ensinam-nos sempre como e não o porquê. Então o já desestimulado sujeito aprende a trabalhar e refazer tudo que já é preexistente, e com o passar do tempo, para essas pessoas, tudo o que não for concreto, mensurável, as coisas abstratas ou não óbvias não servem. São alvos de críticas, repressão e marginalização.

Então alguns teóricos escrevem coisas lindas, palavras rebuscadas, argumentos científicos e repetem belamente os conceitos. E com o ego satisfeito dizem: a comunicação é dinâmica, no mundo globalizado devemos saber falar inglês, marketing, globalização, a=f/m, um original não se desoriginaliza... só esquecem de falar os "porquês".

E num meio de sofismáveis intelectuais a estática é tão grande que a cada dois passos pra frente dá-se sete para trás. As coisas diferentes ficam perdidas e vagando seguindo o mesmo caminho da mediocridade.

Doravante, o novo, a criação, o diferente estão cada vez mais inapreciáveis. Não há ambição intelectual, não se buscam os "porquês" e sim o "como". E perde-se o espaço para pensar, para criar, para correr atrás do não óbvio e escapar da mediocridade.

Fabrício Magalhães Gonçalves é estudante do 3o. ano de relações públicas da UFG.

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