Teorias sobre a prática
Claudio Haruo Yamamoto
- Essencialmente, o conhecimento humano se encontra embasado em forma de teorias das mais diversas naturezas e nas mais diversas ciências. Tal fato é um tanto óbvio, já que sem essas teorias não seríamos mais capazes que outros representantes do reino animal. Entretanto, cometemos, como seres errantes, um equívoco ao elaborarmos teorias demais em detrimento da prática. A idéia é atingirmos um equilíbrio no que diz respeito à relação entre elas, teoria e prática. Somos, no entanto, incapazes de chegar a tal ponto, tamanha imperfeição humana.
- São muitos os que existem entre nós (leia-se: estudantes que colaboram com o jornal INTEGRAÇÃO) que fazem uso intensivo da teoria, deixando de lado a prática. Os exemplos mais evidentes desse grupo são os chamados "iniciativos", segundo a classificação feita pelo colunista Stephen Kanitz, em "Iniciativa x Acabativa", na Veja do dia 11/11/1998. De acordo com a definição dada pelo mesmo, "iniciativos" são os filósofos, cientistas, professores, intelectuais, a maioria dos economistas e, por que não, alguns de nós, estudantes? Responsáveis pelo surgimento de novas idéias, fazem o transplante dessas para o mundo real, sem no entanto, fazer o que haveria de ser mais útil à humanidade, terminá-las, tornando-as aproveitáveis para o restante dos mortais.
- Para essa tarefa de "aproveitabilizar" esses recursos, existe um grupo especializado que contrasta com o dos "iniciativos". São os chamados "acabativos". Tal grupo exerce substancial importância para a sociedade, pois sem eles, o conhecimento humano estaria quantitativa e qualitativamente limitado ao seu próprio esboço. Devido a este fato, são mais bem reconhecidos que os do primeiro grupo, em geral, ganhando até mais por isso. Não haveria de ter um exemplo mais típico desse grupo que o senhor William Gates, o dono da maior empresa da área da informática.
- O leitor há de convir comigo que o senhor Gates, mais rico empresário da informática, não é o mais inteligente dessa área. O bilionário não é o maior conhecedor de computadores e seu funcionamento, mas soube como poucos levar uma empresa, a Microsoft, do anonimato à onipresença mundial. Em todos os periódicos conhecidos, há pelo menos uma menção à ela. 85% dos computadores mundiais utilizam de programas desenvolvidos pela grife-empresa-marca Microsoft. Sua difusão se compara à da Coca-Cola, guardando-se as devidas proporções.
- Aliado a inúmeros "iniciativos", o "senhor acabativo" pôs em prática (com sucesso) um grande número de idéias, formando o que a justiça americana julgaria de monopólio. Essa aliança entre "iniciativos" (faculdades) e "acabativos" (empresas) é o ponto diferencial entre o típico investimento em conhecimento/desenvolvimento de projetos americano (bem-sucedido) e o brasileiro (...). Eis a dificuldade maior: carência de investimento no berço do conhecimento, a educação. Assim, assiste-se a corte de verbas na educação, escândalos na privatização da telefonia, coisas bem práticas.
- Sejamos, pois, mais acabativos no que diz respeito a nossos projetos. Deixemos de fazer críticas ao vazio, sem propostas de melhoramento. Seria melhor que tratássemos de minimizar a nossa imbecilidade antes de fazê-las.
Claudio Haruo Yamamoto é estudante do 3o. ano de ciência da computação da UFG.
- Mande um e-mail para Claudio Haruo Yamamoto ou para a direção do jornal.
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