Coluna do Doutor Bukowski
Pablo Hernandez Alcântara
- O plasma da luz do sol iluminava a janela. Era hora de o dia acordar a cara lavada na pia do espelho. De repente, a ânsia estomacal. Não, não era o gosto limpo, asqueroso do creme dental. Era sua face, face a face. O vômito foi libertado. Junto dele vinha o medo, presente e passado. Sua vida estava naqueles restos alimentares. No início foi nojento. Depois que as vísceras pessoais vieram à luz da pia, tudo foi paz, costume, rotina. Eram suas excretas internas externalizadas. Toda a raiva, sapos engolidos, beijos de língua amarga, miojo com arroz do almoço na janta. Tudo era expelido em cachoeira pela bocalha. Essa já não mais existia. De repente, como espasmos, pequenos soluços cuspidos de vômitos se transformaram em arrotos. Era o fim. Nascia uma nova pessoa. Pronta pra começar o dia à luz dos olhos lupa das outras pessoas. Assim foi feito o desejo dos deuses. A vida foi bosta em pratos limpos.
- Raul Bokowski
- filósofo visceral e gastroenterologista
Pablo Hernandez Alcântara é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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