Socorro Procon, fui lesado!!!
Manoel Rubens Miguel
- Nossos jornais impressos não são mais os mesmos de outrora. No início (refiro-me às primeiras publicações) tinham como finalidade prover informação a seus leitores a fim de tornar estes cidadãos conscientes no mundo em que vivem e interagem. Hoje o propósito é bem outro. Os jornais, se é que ainda podem ser assim chamados, tornaram-se meras mercadorias recheadas de publicidade; os leitores, então, passaram a ser simples consumidores de um produto duvidoso. Essa mudança talvez tenha acontecido para tentar diminuir a desvantagem do jornal diante de outros veículos de comunicação que ganharam destaque nas últimas décadas, como a televisão e a internet.
- Algo que ultimamente vem gerando bastante polêmica são os recursos que os jornais vêm utilizando para aumentar a vendagem, como por exemplo os encartes promocionais que são oferecidos no estilo folhetim em edições semanais. Essa moda começou há algumas décadas nos Estados Unidos até que há alguns anos chegou ao Brasil, onde foi iniciada por um jornal paulista que lançou um atlas universal. Só que esse recurso se proliferou de tal forma que hoje é quase impossível encontrar algum jornal brasileiro que ainda não tenha experimentado essa estratégia de venda. Mas o pior é que cada vez mais estas promoções oferecem produtos que nada têm a ver com a informação. Há exemplo de jornais que se transformaram em verdadeiros bilhetes lotéricos, colocam na capa de cada exemplar um número através do qual o leitor, ou melhor, o "apostador", concorre a quantias em dinheiro. Outros sorteiam prêmios escalafobéticos que há algumas décadas seria inconcebível relacioná-los com um jornal (a não ser nos classificados). Prêmios estes que vão de jogos de panelas a animais domésticos.
- Além de tudo, a qualidade da informação que foi relegada a segundo plano tem piorado constantemente. Isso me leva a uma indignação: se o que estamos adquirindo não vem nos satisfazendo, o certo não seria procurarmos o órgão de defesa do consumidor e expor nosso descontentamento. Bem, acho que sim, mas não adiantaria muito sendo que a massa de leitores críticos, a qual reclamaria, é mínima frente à imensa massa alienada de consumidores criada por estes "monstros da comunicação".
- Ainda assim, acho que alguma providência deve ser tomada, senão daqui a algum tempo quando formos à banca atrás do nosso jornal de cada dia, lá encontraremos uma revista estilo aquelas que vendem mercadorias pelo correio acompanhadas de um brinde e de um folheto informativo com as notícias do dia.
Manoel Rubens Miguel é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
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