Nosso "B" é b de quê?

Luís Cláudio Guedes

A Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás, a nossa Facomb velha de guerra, comemorou muito discretamente o honroso conceito "B" obtido na estréia de seu curso de Jornalismo no último "Provão". O nosso "B", senão é um b assim de "Brastemp", veio demonstrar, segundo algumas análises, que o buraco não é tão lá embaixo como se supunha.

A universidade pública brasileira vive seus dias de terra arrasada e, tal qual um César apunhalado, volta-se para a sua cria mais dileta para, sem emitir espasmos mais contundentes, murmurar um "Até tu, Brutus!" da mais pura estupefação. Na semana passada, a UFG comemorou (perdão pelo eufemismo) os seus 38 anos de fundação e a reitora Milca Severino, num "inside" de marqueteira, evocou os feitos da Casa ao longo da história, diante da obviedade de que, em tempos de FHC, não há motivos para estourar champanhe. Mas voltemos ao nosso "B".

Quem conhece, por exemplo, a realidade da Rádio Universitária, emissora mantida pela UFG para, em tese, servir de suporte ao conceito de "aprender fazendo" tende a concluir que a nota de jornalismo equivale a uma autêntica odisséia. No limite da precariedade, a Universitária pode sair do ar pela falta de irrisórios mil reais destinados ao pagamento de pessoal técnico contratado. Para a Universitária, este "B" bem que poderia significar uma sobrevida.

Sim. As dificuldades são monumentais, mas o "B" no provão não surpreende só por isso. O jornalismo da UFG pauta sua existência pela necessidade de provar a demanda de profissionais que o mercado local requer. A Serrinha (para quem nos lê - via Internet - Brasil afora, é o bairro onde fica a TV Globo local) seria, nesta concepção, o Olimpo a ser galgado pelo facombiano. Estamos diante de um b de bom tamanho para o fim a que se destina. E aqui cabe mais uma ressalva justiceira.

A Facomb é tida como o "patinho feio" da UFG. Neste sentido, a performance dos formandos no provão lava a alma daqueles que em suas trincheiras combatem o bom combate. Eis aí um "B" de triunfo. E não é para menos: a UFG não conseguiu "A" em nenhum dos cursos avaliados, só outros conceitos B em alguns cursos. Outras faculdades avançaram alfabeto adentro.

Do lado de quem ensina, revela o Provão, o jornalismo da UFG vai bem, quase obrigado. Foi conceito "A" em titulação e jornada. De um total de 20 professores, 4 são doutores, 10 são mestres, são seis os apenas graduados. Até que não está mal. Mas onde estão os projetos e o salto qualitativo que justifiquem tal gabarito? Que tal um "B" de mãos-à-obra e não à pasmaceira?

Para o aluno que, cheio de sonhos, descobre serem muito mais espinhosos os corredores da Facomb do que ousou supor a sua vã inocência, fica uma interrogação: afinal, que "B" é esse? Há momentos de descrença, por exemplo, quando se percebe que a Universidade não acompanha o ritmo de mudanças que o mercado reclama. Para quem atingiu este nível de consciência, nosso "B" soa assim como um "bem que podia ser melhor".

O provão não prova nada, costuma dizer quem foi mal no exame do MEC. O contrário, por razões óbvias, não se verifica. Como já se disse acima, o "B" do jornalismo não abalou muito a Facomb. Por má comparação, é um gol de placa sem a tradicional corrida para o abraço. Sete parágrafos depois, a pergunta permanece: o nosso "B" é b de quê?

Luís Cláudio Guedes é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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