Nota zero para nossas faculdades: só elas têm culpa?

Ludmila Viana Furtado

Ensino universitário medíocre e ineficaz é problema em todo o mundo. Em qualquer lugar há universidades fracas e inadequadas para o ensino superior. Porém, essa realidade é mais acentuada em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, os quais possuem carência de recursos financeiros.

Foi realizado no Brasil, nos últimos meses, o Provão do MEC, cujo objetivo é avaliar o ensino superior nas faculdades públicas e particulares. O resultado foi desastroso, frustrando quase todos os brasileiros, principalmente estudantes: a maior parte das faculdades receberam notas ruins, sendo algumas consideradas inadequadas para o ensino. Porém, esse Provão não serviu para avaliar concretamente as universidades, pois houve boicote na maioria delas. Os estudantes não responderam às provas, apenas assinaram seus nomes, fazendo com que boas faculdades recebessem notas medíocres. Eles alegaram não concordarem com o método de avaliação, insinuando que o governo pretendia usar o Provão como pretexto para privatizar diversas faculdades, diminuindo seus gastos.

Faltam laboratórios de pesquisa, computadores, tecnologia e, em alguns casos, profissionais competentes. Em função disso, há um maior número de universidades particulares, sendo a maioria delas possuidoras de ensino e condições um tanto quanto precárias. É inútil e desnecessária a tentativa do governo de alegar que não possui recursos, principalmente para investir na área de educação. Definitivamente, não é interessante para o governo que a população se torne mais esclarecida e consciente. Porém, o fato de não possuir recursos é rapidamente desmentido e desmascarado a partir do momento em que o poder executivo se propõe a pagar um valor de R$ 24.000, 00 para cada deputado convocado extraordinariamente para desempenhar um trabalho que deveria ter sido realizado durante o curso do ano de 98.

Seria necessário que o governo passasse a investir mais na educação, dando maior assistência às faculdades. Mas, para isso, os governantes deveriam entender que o progresso do país depende da preparação de seus cidadãos e que, quanto mais alto o nível de ensino do país, mais bem preparados estariam os brasileiros para enfrentarem o mundo competitivo atual.

Ludmila Viana Furtado é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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