O sonho da fama

Juliana Vilela Prado

Tão grande é a fama de certas personalidades que estas vão tornando-se institucionalizadas dentro da nossa cultura. Provavelmente, quem nunca ouviu falar na Carla Perez, na Xuxa e na Sasha, está muito alheio às questões que a mídia focaliza hoje. Estes e muitos outros famosos são alvo constante da televisão e das revistas.

Assim, estes meios de comunicação apresentam ao público, de forma glamourosa e especial, pessoas que, às vezes, não se diferenciam muito de nós. A partir de todas as aparências mostradas sobretudo na televisão, o público acaba por se iludir com a fama passando a ignorar a realidade de vida que têm.

Então, o objetivo destas pessoas é, ao menos, poderem se assemelhar às personalidades televisivas. Pode-se perceber isso nos concursos realizados pela Globo na escolha da "loira do Tchan", em que, várias mulheres se inscreveram buscando uma forma de conhecimento baseado numa figura artística que é a Carla Perez.

Na verdade, o que está por trás da busca pela notoriedade é um sentimento de inferioridade que as pessoas têm perante ídolos que são tidos como semideuses. Mas por que não cultivar a própria personalidade e o próprio individualismo? Não é difícil observar que a televisão, principalmente, é capaz de criar tipos idealizados de pessoas que lutam por romancezinhos fugazes ou por dinheiro.

Dessa forma, a televisão consegue manipular os telespectadores extraindo destes o romantismo e a idealização, responsáveis por transpor a vida televisiva para a vida real.

Nesse contexto, percebe-se que o sonho da fama que permeia a mente do público brasileiro é sustentada por mitos, por identidades nacionalizadas e ao mesmo tempo vulgares que se tornam reconhecidas e saem de cena rapidamente, ficando assim apenas a alienação do público que aceitará ser manipulado pela continuidade de ideologias que a televisão nos impõe.

Juliana Vilela Prado é estudante do 3o. ano do segundo grau do Colégio Mega de Goiânia.

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