Último comício?

Eduardo Horácio Jr.

17 de setembro de 1998. Sete da noite, centro de Goiânia. 10 mil pessoas acompanham o último discurso de Luiz Inácio Lula da Silva antes da eleição. Na oportunidade, mais uma vez ficou claro que a oferta de trabalho voluntário, a dedicação sem limites e a confiança na virada são mesmo marcas registradas do militante petista.

Vinte dias depois, vem a votação para presidente e, novamente, o candidato do PT é derrotado. Os comentários, como das vezes anteriores, são os mesmos: essa é a última eleição que Lula disputa, o PT precisa renovar...

Só que, apesar da derrota eleitoral, Lula saiu ganhando politicamente. Ele fez mais uma campanha limpa, criticou a política econômica do governo e não partiu para críticas pessoais.

Se Lula quisesse, poderia ter se aliado às elites, como fez FHC, para chegar à presidência. Propostas para isso não faltaram. Mas o líder petista sabe muito bem que não faz o menor sentido chegar ao poder junto com as elites.

Mesmo não ganhando essa eleição, as sementes foram plantadas para 2002. Os eleitores de Lula cresceram e a rejeição do PT diminuiu. Lula está mais maduro, o que não significa, entretanto, que ele tenha abandonado seus ideais.

Seria aquele comício de 17 de setembro o último do petista em Goiânia? Pode parecer precipitação, mas o PT não pode descartar desde já o nome de Lula para a eleição de 2002. Nem o próprio Lula tem esse direito. Seu passado de luta não o autoriza a recusar uma quarta disputa (desde que as circunstâncias, é claro, sejam favoráveis) e sua biografia sempre teimou em desafiar o destino.

Não que Lula seja o candidato ideal para chegar ao poder, mas será muito difícil, para os partidos de esquerda, achar um nome que promova a união da oposição como o de Lula.

Claro, isso não significa que o PT deva rejeitar novas lideranças, mas o partido também não pode descartar um nome como o dele para a próxima campanha. As milhares de pessoas que gritam, desde a eleição de 89, "Brasil urgente, Lula presidente!" no final dos comícios, sabem - melhor do que ninguém - o projeto de país que um governo desse companheiro representa para elas e milhões de brasileiros.

Eduardo Horácio Jr. é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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