Narciso e seus deuses

Daniela Soares

Em nosso meio acadêmico as crenças religiosas têm poucos adeptos mas, em contrapartida, houve uma adesão a outras, também dogmáticas que, na verdade, nada diferem das primeiras.

Ambas proclamam verdadeiros os seus deuses. No caso das primeiras, "o grande arquiteto do universo", para as segundas (citando casos extremos), "Lord Byron, as atrizes francesas, o rock inglês e o Rio de Janeiro". Até aí, nada demais. Mas, acreditava eu, que práticas como a exortação, a intenção de "corrigir os delinqüentes", "trazer ao bom caminho os extraviados" e com máxima presunção "condenar os servos de um outro senhor" teriam sido adotadas apenas pelos religiosos da Idade Média.

Para meu grande espanto, não é isso que ocorre e jingles como "Mate seus ídolos" e, leia-se, "Adote os meus", têm sido usados em nosso jornal (com a pretensão de serem considerados acima do sofrível).

Tais práticas transformam, com um truque vulgar, "o esplendor das diferenças em uma deselegante imposição de semelhanças"*

Respeitar a opinião alheia pode ser mais subversivo do que insultá-la. Atacar grosseiramente a opinião e as paixões daqueles a quem se dirige é agir com desrespeito e ir contra a própria essência da democracia, que reverencia as diferenças e o pluralismo.

* Extraído de um artigo de Sérgio Augusto de Andrade na revista "Bravo!".

Daniela Soares é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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