Sofra para eu sorrir

Leandro Quintanilha Santana

Estamos, constantemente, tirando proveito das desgraças alheias. Às vezes, nosso sucesso só é viável diante da derrota de alguém...

Para que alguns entrem na Universidade, outras centenas de candidatos precisam ser reprovados no vestibular. Quando um sortudo ganha na loteria, outros milhões de apostadores (azarados) têm de permanecer na pindaíba. Numa empresa, a demissão do chefe de seção garante a promoção do funcionário subordinado. Alguém só acha um calhamaço de dinheiro na rua se um infeliz distraído tiver deixado a bolada cair no chão. A rentabilidade de um escritório de advocacia é diretamente proporcional ao número de crimes cometidos e casamentos fracassados.

Até mesmo a morte de um semelhante pode nos trazer benefícios. Um doente do coração passará os dias rezando para que morra logo um doador compatível. O falecimento do tio rico deixará para o sobrinho-herdeiro uma gorda fortuna como "consolo". O que seria do médico legista se ninguém desencarnasse?

É assim que vivemos, fazendo das lágrimas do próximo, nosso contentamento. A expressão "capitalismo selvagem" parece definir perfeitamente a essência das relações humanas. Mas nada nessa vida é definitivo: se hoje usufruirmos da desventura de terceiros, amanhã certamente haverá quem triunfe graças aos nossos infortúnios.

Leandro Quintanilha Santana é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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