Nós, e nossos heróis
Jardel Sebba Filho
- A melhor banda dessa década lançou em seu segundo álbum, de 1992, uma música que dizia: "tenho dezoito anos, preciso dos meus heróis". Sábia constatação. Precisamos encontrar e redescobrir, a todo momento, pessoas que nos pareçam dignas da nossa glorificação. Mas, como o tempo é curto, o mundo é pequeno – Goiânia, então, nem se fala –, as novas tecnologias são uma realidade, ser diferente é um ônus difícil de carregar e pensar dá trabalho, nossa galeria de ídolos vai mal.
- Na mesma música citada, há um verso do grande poeta inglês Lord Byron, que não viveu o bastante para ouvir Chico Science se autointitular...poeta!! Sábio passar do tempo. A Jovem Guarda falava de calhambeques e festas de arromba; disseram mais que o Mangue Beat. Assim é a escola nordestina: a gente batuca um tambor, inventa uma dança, usa umas expressões locais, e fala pro pessoal lá embaixo que isso é vanguarda. Chico Science é lixo cultural. Desafio alguém a me mostrar algum verso de seu "legado" que esteja acima do sofrível. Nasci em Botafogo e cresci em Copacabana, não sou obrigado a gostar de xote, xaxado, maracatu, frevo, bumba-meu-boi. Tradicionalismo é o primeiro passo rumo ao fascismo. Recife não é aqui.
- Byron foi um privilegiado. Não assistiu a Matchbox 20s e Fugazis, veneradas por moderninhos sedentos por descobrir antes o que não chegou ao grande público, certos de que isso basta para qualificar alguma coisa. Não assistiu à glorificação do cinema de Quentin Tarantino, aquele pastiche de violência fabricada e frases de efeito produzido para impressionar adolescentes mal resolvidos hormonalmente. O Bronx também não é aqui. Não teve que presenciar odiosos neo-hippies "redescobrirem" as idéias de Allen Ginsberg, que certamente renegaria seus novos fãs. E olha que ninguém ousou entrar no terreno dos ídolos populares...
- Viva Lord Byron. Viva as atrizes francesas e o rock inglês. Mate seus ídolos.
xxxxxxxxxxxxxxxxxx
- Um ano de INTEGRAÇÃO. Parabéns e obrigado pelo espaço a todos os responsáveis pelo jornal. Hora também de me desculpar. Me desculpar com as (poucas) bandas legais de Goiânia, pela acertada constatação de que para escrever não é preciso assunto de extrema importância, pelo deboche com a metáfora da Coca-Cola, etc. Tive formação católica; erro, peço desculpas, e continuo errando.
Jardel Sebba Filho é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Jardel Sebba Filho ou para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|