O amigo que queria conhecer o mar
Otaviano da Cunha Gonzaga
- O amigo tinha um sonho. Queria conhecer o mar. Mas também queria conhecer o amor e outras coisas mais, talvez... O amigo queria pouco, ou pelo menos um pouco. Um tanto qualquer que fosse, mas que fosse seu. Um minuto de atenção sincera poderia ter sido suficiente. E não foi.
- O amigo tinha um sorriso. O sorriso era o esconderijo que guardava as tristezas... as tristezas, o amigo as guardava porque, para ele, só era feliz quem conhecia o mar. E ele não conhecia.
- O amigo tinha uma bicicleta. A bicicleta o levava pelos caminhos da liberdade e pelas estradas de adrenalina... Só, que não podia levá-lo ao mar. Era longe. Tão longe quanto as viagens que ele fazia dentro do seu próprio mundo, que era pequeno. Porém, seu.
- O amigo tinha um bom coração. Um coração humilde, simples e generoso. Por outro lado, também tinha vícios, conflitos e fraquezas... É claro, não se trata de nenhum herói de histórias em quadrinhos. O amigo era um ser humano... humano e comum.
- O amigo tinha um cachorro. O melhor amigo do homem, não era o melhor amigo do Amigo... O cachorro era apenas um brinquedo que escutava suas reflexões. Que, apesar de poucas, eram suas.
- O Amigo tinha amigos. E também tinha parentes e conhecidos... Mas ninguém teve a oportunidade de apresentá-lo ao mar. É verdade, ele não foi apresentado ao mar.
- Entretanto, se apresentou ao céu...
Otaviano da Cunha Gonzaga é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG
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