Enjôo onze e meia
Eduardo Horácio Jr
- O "Jô Soares Onze e Meia" acaba de completar dez anos de vida. Seria uma ótima oportunidade para se fazer um balanço sobre o programa, mas o que se viu por aí foi um festival de confetes e elogios ao apresentador, uma verdadeira unanimidade.
- Jô Soares se transformou, hoje, em uma espécie de Deco Martins da classe média. Ver o programa do Jô dá "status" assim como a camada mais pobre da população idolatra Deco Martins, o repórter que tem o melhor salário de Goiás.
- A classe média adora o "Jô Onze e Meia" até no horário, já que só ela assiste ao programa (pois o trabalhador brasileiro precisa dormir cedo para madrugar no outro dia). Mas do que a classe média gosta mesmo são das opiniões políticas de Jô, que faz questão de emitir no meio das entrevistas que o presidente FHC é um grande homem, que o país está no rumo certo e que FHC sabe "negociar".
- A unanimidade em torno dele é tão grande que, nesse momento, alguém já deve estar dizendo que estou aproveitando da fama alheia para aparecer. É mais ou menos como criticar o presidente-candidato.
- O consenso em torno do apresentador do SBT faz com que ele alimente cada vez mais seu ego. Basta observar que Jô faz questão de dizer todo dia que ele (o presidente ou o próprio Jô?) viaja pelo mundo inteiro.
- Jô chama seus entrevistados apenas pelo prenome, tentando forçar uma suposta intimidade, como fez com Bill Gates ao chamá-lo apenas de Bill, ou com os dois últimos presidentes eleitos, chamando-os apenas de Fernando (nesse ponto, involuntariamente, Jô acertou: os dois fernandos estão cada vez mais parecidos).
- Não coloco em discussão o talento de Jô. Só que, como entrevistador, Jô é uma lástima. Prova disso foi quando ele questionou, em um debate sobre reforma agrária, se o MST não exigia muito do governo. Tanto os sem-terra quanto os latifundiários discordaram do ponto de vista do "entrevistador" egocêntrico.
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- O INTEGRAÇÃO acaba de completar um ano. Só o fato do jornal ainda manter sua proposta original já vale a comemoração.
- Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições, eu não poderia me despedir sem antes deixar uma lembrança:
- "O Executivo abusa da paciência e da inteligência do país quando insiste em editar medidas provisórias sob o pretexto de que, sem sua vigência imediata (...), vai por água abaixo o combate à inflação. Com esse ou com pretextos semelhantes, o governo afoga o Congresso numa enxurrada de medidas provisórias. O resultado é lamentável: Câmara e Senado nada mais fazem do que apreciá-las aos borbotões...
- ...Seja qual for o mecanismo, ou o Congresso põe ponto final no reiterado desrespeito a si próprio e à Constituição ou então é melhor reconhecer que no país só existe um poder de verdade: o do presidente. E daí por diante esqueçamos também de falar em democracia". – FHC, em 1990, no jornal Folha de S.Paulo, sobre o governo Collor.
- Para o leitor que não sabe, FHC é o presidente que mais editou medidas provisórias em toda a história: são quase duas mil.
Eduardo Horácio Jr. é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG
- Mande um e-mail para Eduardo Horácio Jr. ou para a direção do jornal.
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