O capital liberdade
Luciana Nascimento Silva
- Comunicação e informação. Quais são as fronteiras que delimitam uma ação comum, compartilhada, e outra que é moldada, colocando na forma as idéias, os fatos e os atos? A comunicação, sendo um processo interativo entre o emissor e receptor, pressupõe uma harmonização que condicione a reciprocidade tão salutar ao bom entendimento das mensagens.
- Quando esse mecanismo não consegue expressar uma simetria entre os vários juízos, evidencia-se uma característica da informação: a verticalização. Diante disso, enformam-se as mensagens deixando-se de zelar pelo corpo subjetivo daqueles que a recebem. As pessoas vão, progressivamente, distanciando-se da posição de também agentes ativos ou titulares, uma vez que não só o emissor deve exercer a supremacia na transmissão de mensagens, cabendo ao receptor interferir conjuntamente no processo.
- Assim, a distinção conceitual é feita e, na prática, percebe-se que cada vez mais a passividade concentra-se no âmago das pessoas, que em grande parte assiste a tudo sem levantar algum questionamento. Ë como se lhes faltasse a capacidade de introspecção, que considero o ponto de partida para que as transformações ocorram com maior segurança. A auto-análise é importante, é capital, pois podemos compreender o que ocorre fora de nós mesmos, as relações exteriores, quando já experimentamos a nossa própria descoberta, que será contínua. Uma leitura crítica do mundo em muito está ligada àquilo que trazemos conosco, uma bagagem oriunda de experiências anteriores e repleta de conteúdo ideológico.
- Fica fácil apreender, então, que submetemo-nos a influência irrestrita do que nos é "propagandeado" e, claro, via meios de comunicação, estaremos fadados à mesmice, à quietação mortificada e a subordinação a credores que não se contentam com o plano físico mostra, os olhos podem ver, mas o imaterial fica guardado sob sete chaves dentro de cada um. A repercussão nem todos conseguem enxergar...
- A situação agrava-se. À medida em que as tecnologias avançam, apresenta-se em inversa proporcionalidade a dormência da consciência crítica e o grau de esclarecimento da população continua baixo. Mais uma contradição: em um só mundo – globalizado – a cultura é apreciável economicamente constituindo, para alguns, mercadoria. Acessível a grupos determinados, os benefícios tentam aparentar para o restante da sociedade que os bens também existem para eles, os não estipulados. Nesse ritmo, continuam o itinerário iludidos que a modernidade é a panacéia.
- Não há pecado algum na modernidade. A segregação é que denuncia a necessidade de repensarmos as nossas práticas e aceitações diante dessa tal homogeneização dos costumes. O despreparo para entender o que intendei dizer aqui é, injustamente, mais um dos filhos daquilo que costumo chamar ilusões da modernice. E para aqueles que acreditam estarmos vivendo a onda da informação e do conhecimento, vale ratificar que, ao mesmo tempo, alguns olhos ainda conseguem identificar a presente refrega contra a opinião própria, que ilumina a inteligência dos homens e – essa sim – capitaliza o bem maior, a liberdade.
Luciana Nascimento Silva é acadêmico do 3o. ano de jornalismo da UFG e do 5o. período de direito da UCG.
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