Pensar global, agir local

Luís Cláudio Guedes

O tema coqueluche destes anos 90 - a globalização - deve fazer parte das preocupações de prefeitos e vereadores dos pequenos municípios brasileiros? Deve. E pode. Nenhum representante político pode se dar ao luxo de ignorar um movimento que mexe inapelavelmente com a vida de todas as pessoas.

Para os teóricos e estudiosos do assunto, a globalização pode ser comparada à Lei da Gravidade, considerada a inevitabilidade dos seus efeitos. Mas, até o enunciado de Newton foi passível de adaptação graças ao maravilhoso engenho humano. Da mesma forma, a força do veloz processo tecnológico porque passa o Mundo e o caráter de internacionalidade volátil que os capitais financiadores do progresso global atingiram, trazem consigo pontos que são contornáveis. A questão é, pois, estender aquilo que for benefício nessa onda ( definitiva, ao que tudo indica) ao maior número possível de pessoas.

E o político de grotão tem mesmo algo a ver com computadores cada vez mais prodigiosos e capitais de apetite irrefreável? Só tem. O economista americano Lester Thurow (autor de "O Futuro do Capitalismo", editora Rocco) arriscou recentemente que, para atingir o mesmo nível de desenvolvimento das principais nações do Mundo, o Brasil deverá ainda trilhar - e sem maiores sobressaltos - longos 100 anos de crescimento contínuo. É só um palpite, mas dito por quem entende do riscado.

Sua excelência, o vereador do município minúsculo, deve buscar sintonia com o que acontece ao seu redor. Neste novo cenário, as tecnologias estão cada vez mais presentes. A tendência para o novo milênio não é outra senão a do investimento irrestrito no homem. O baixo nível de escolaridade do povo brasileiro é, ainda segundo Thurow, o grande entrave do Brasil para inserir-se nesta nova ordem. Ao legislador municipal, ele próprio muitas das vezes, com formação deficitária, cabe somar esforços e, sobretudo, fiscalizar para que a educação seja realmente uma prioridade na sua cidade. Os prefeitos têm igual responsabilidade. O compromisso deve ser de todos - em todos os níveis.

O político interiorano, em que pese a mudança ali ainda acontecer de forma lenta, não está impedido de pensar macro para atuar no micro. Com o acento democrático à informação é natural o fato de que as demandas locais sofrem transformações radicais. Olha aí a importância da sintonia fina com o ritmo das mudanças.

A educação é apenas um dos fatores que devem ser levados em consideração pelo País neste esforço de recuperação do tempo perdido. Este é uma empreitada para todo o conjunto da Nação. Para o nosso raciocínio, serve como ilustração de como é possível pensar global para agir localmente.

A "globalização" é uma realidade incontestável que vai exigir dos políticos paroquiais posturas inéditas. O tema não deve tardar a fazer parte das agendas dos executivos e dos debates dos legisladores das nossas pequenas cidades, via de regras e infelizmente, recheados de assuntos de discutível relevância.

Luís Cláudio Guedes é acadêmico do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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