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Como cada caso envolve particularidades
pessoais, o programa educacional deve ser individual, para se atingir melhores
resultados.
O ambiente de ensino não deve se restringir
às instituições. É importante que seja extendido
ao lar da criança, com a participação direta dos pais.
É imprescindível, também, a utilização
de um instrumento de avaliação e acompanhamento, para se
poder verificar a eficácia do processo de aprendizado.
O trabalho terapêutico
com uma criança incovencional pode seguir muitos rumos, mas a terapêutica
educacional é a que tem trazido resultados mais positivos.
Existem muitas teorias sobre
a forma de trabalhar a criança, em termos educacionais. Algumas
destas teorias só servem para o lixo. Outras apresentam resultados
variáveis, dependendo da capacidade do pedagogo e da criança
alvo. Alguns dão ênfase aos desejos e inclinações
naturais da criança, enquanto outros procuram criar respostas comportamentais
condicionadas por reforços positivos ou negativos. Um método
desenvolvido pelo psicólogo americano Lightner Witmer, em 1919,
que parece ter alguma lógica, define que "A primeira tarefa do professor
ou dos pais é obter e manter a tenção da criança,
dando-lhe uma coisa que ela consiga fazer, e, depois desta, uma que ela
não consiga, para obrigá-la a sobrepujar suas limitações".
Diz ele, no seu trabalho,
que "o objetivo primordial da educação é desenvolver
a atenção, escolhendo tarefas que as desenvolvam e, em seguida,
cultivar a concentração, a persistência e a paciência
como atributos da atenção".
"No Método Montessori
se fornece objetos estimulantes à criança - o seu material
didático - e se deixa ao cuidado desta dar o próximo passo.
Suponhamos porém que ela não dê este próximo
passo. Neste caso ela tem que ser 'empurrada'. "
"Levar uma criança
na direção desejada é fácil se ela é
dócil e submissa. Se ela não tem nenhum desejo senão
o de estar sozinha, de se manter alheia e isolada, o desenvolvimento da
atenção e o reforço da obediência devem vir
de mãos dadas."
"Quando temos uma truta num
anzol, na extremidade de uma linha final, a única maneira de a trazer
para a terra é jogar com ela. Os seus desejos são contrários
aos nossos. Se usamos de demasiada força quebramos a linha. Se usamos
habilidade, flexibilidade mas disposição, atingiremos o nosso
intento. O professor habilidoso joga com a criança, observando os
seus movimentos e se o avanço é na direção
desejada. Persuadir ou forçar? Na resolução desta
dificuldade muito educador tem naufragado. Pode-se persuadir muita criança
apelando para seus interesses, tal como excitando-lhe a curiosidade. Algumas
crianças, no entretanto, não podem ser persuadias. ... A
obediência pode ser obtida pelo castigo, pela sugestão, pela
ameaça ou pela persistência. A que tem mais efeito é
a última: incutir na criança a noção de que
há uma vontade mais forte do que a sua e, sobretudo, a noção
de inevitabilidade. A luta entre vontades opostas começa pouco depois
do nascimento e a minha experiência mostra que nenhuma criança
é demasiado nova ou retardada para saber quando é que sua
vontade prevaleceu e aproveitar-se disto."
MÉTODO TEACCH
O método TEACCH foi
desenvolvido no início de 1970 pelo Dr. Eric Schopler e colaboradores,
na Universidade da Carolina do Norte.
O propósito do método,
segundo o Dr. Gary Mesibov, Diretor da Divisão TEACCH, é:
-
Habilitar pessoas portadores de autismo a se comportar, na comunidade,
de forma tão funcional e independente quanto possível.
-
Promover atendimento adequado para os portadores de autismo e suas famílias,
e para aqueles que vivem com eles.
-
Gerar conhecimentos clínicos teóricos e práticos sobre
autismo e disseminar informações relevantes através
de treinamento e publicações.
Que é o TEACCH?
Os criadores do método se propõem
a uma abordagem completamente diferente e muito mais fexível, cujas
principais prioridades seriam:
- Focalização do portador de autismo
e desenvolvimento de um programa elaborado em torno das suas potencialidades,
interesses e necessidades individuais, indentificados por cuidadosa observação
e análise de respostas, frente a estímulos. Neste sentido
foram desenvolvidas escalas de avaliação e testes diagnósticos,
que são revisados e atualizados anualmente, e que possibilitam um
maior sucesso na elaboração do plano de trabalho. O paciente
deve ser o centro das atenções e a intervenção
deve ser feita largamente baseada numa estratégia elaborada com
base nestas potencialidades e interesses. Como focalização
na pessoa se entende que ela é a prioridade, acima de qualquer noção
filosófica ou técnica de abordagem, como comunicação
facilitada, treinamento condicionado, etc.
- Os autores enfatizam um atendimento individualizado,
para entender melhor a pessoa e também sugerem que o portador de
autismo é parte de um grupo distinto com características
comuns que são diferentes, mas não necessiariamente inferiores
às dos demais. Deve-se entende-lo e aceitá-lo, tal como ele
é, sem alimentar menores ou maiores expectativas. Isto simpesmente
exige que se parta do estado em que ele se encontra, ajudando-o a se desenvolver
tanto quanto possível. isto é diferente de adotar um modelo
comportamental dito normal e pretender que as pessoas com autismo se enquadrem
neste modelo, quer isto lhes seja confortável o não.
- Outra importante prioridade é o ensino
estruturado porque, de acordo com as pesquisas e as experiências
pessoais da equipe do TEACCH, a estrutura se encaixa na "cultura do autismo"
mais efetivamente que qualquer outra técnica, que eles têm
observado. Organizando o meio ambiente e desenvolvendo rotinas de horário
e de trabalho, as expectativas se tornam mais claras e explícitas.
O uso de materiais visuais tem sido um meio efetivo de desenvolver habilidades
e permitir os pacientes a usar estas habilidades independentemente da intervenção
e sugestão do professor. Estas prioridades são especialmente
importantes para estudantes autistas que freqüentemente se atrasam
devido a sua incapacidade para trabalhar independentemente, em situações
variadas. O ensino não diz nada acerca de como os autistas devem
ser ensinados. Esta é uma decisão baseada nas habilidades
e necessidades individuais. Alguns conseguem trabalhar efetivamente e se
beneficiam dos programas regulares de educação, enquanto
outros precisarão de classes especiais, durante parte ou totalidade
do dia, onde o meio físico, currículo e pessoal possam ser
organizados e adaptados para atender às respectivas necessidades
individuais.
- Uma quarta prioridade é desenvolver
capacidades e interesses, mais do que se fixar na redução
dos déficits. Evidentemente, qualquer programa para pessoas com
deficiências tem que manter um equilíbrio entre o desenvolvimento
das potencialidades e redução das deficiências. Neste
sentido, o TEACCH não difere de outros programas. Mas a maioria
dos programas se concentra inteiramente na redução das deficiências.
A abordagem do TEACCH reconhece as diferenças entre autistas e as
pessoas normais. Porém considera que eles, freqüentemente,
apresentam consideráveis habilidades visuais e de memória,
muito superior aos ditos normais, o que pode ser usado como meio para que
ele seja, funcionalmente, bem sucedido no meio social.
- O pessoal do TEACCH também tem observado
que capitalizar nos seus interesses individuais, ainda que eles, de acordo
com a nossa perspectiva, possam parecer peculiares, ajuda a desenvolver
sua motivação e o entendimento do que estão fazendo.
Estas estratégias robustem muito mais os esforços para que
eles trabalhem e produzam positivamente do que coseguiríamos ao
força-los e coagi-los em direções que não sejam
de seus interesses e que eles não possam compreender.
- A abordagem do TEACCH é também
largamente baseada levando em conta todos os aspectos da vida dos portadores
desta patologia e de suas famílias. Embora habilidades de trabalho
sejam enfatizadas, é também reconhecido que a vida não
é apenas trabalho e que habilidades de comunicação,
sociais e de lazer podem ser aprendidas e podem ter um importante impacto
no seu bem estar. Por conseguinte, uma parte importante do método
é o desenvolvimento destas habilidades.
Os planos de trabalho são desenvolvidos
segundo as seguintes áreas:
CONDICIONAMENTO
O Condicionamento é
uma técnica de modificação de comportamento que consiste
em induzir uma pessoa a um comportamento desejado, através de recompensas
(reforço) ou punições imediatas, pelo seu desempenho.
Poderemos ilustrar essa técnica
com o exemplo aplicado ao condicionamento de uma criança ao fechamento
de uma porta. Começamos por fechar a porta dizendo "feche a porta",
presenteando imediatamente a criança com uma bala. Após repetir
esta ação, passamos a guiá-la no ato de fechar a porta,
várias vezes, sempre seguido da recompensa, a cada vez que ela é
fechada. Depois de algum tempo, a criança passará a receber
a bala somente se fechar a porta. Finalmente, retirando a recompensa gradativamente,
conseguiremos que a criança feche a porta, sempre que solicitada.
O estudo do condicionamento
se iniciou quando o cientista russo Ivan Pavlov quis coletar saliva de
cães para suas experiências. Ele observou que os cães
salivaram ao vê-lo, antes mesmo que lhe mostrasse a carne.
Descobriu que o cão
poderia ser treinado para reagir a qualquer sinal, como uma campainha.
Esse se tornou um processo clássico, conhecido por qualquer estudante
de psicologia.
Com este processo podemos
induzir uma criança a usar, adequadamente o vaso sanitário,
vestir-se, aceitar tratamento dentário, prestar atenção,
etc. Programas de controle de comportamento devem ser conduzidos tanto
nas escolas e clínicas como em casa, pela família.
MÉTODO HIGASHI
As crianças autistas
são engajadas em diversas atividades de marcha, dança, ginástica,
música e trabalhos de todos os tipos, com crianças normais
se prestando ao papel de modelos e auxiliares de cada autista.
Assim as deficiências
são reduzidas gradualmente, de forma considerável. A participação
ativa age como um estímulo insuperável.
A idéia básica
do método criado pela Dra. Kitahara é é que a atividade
liberta a enorme ansiedade sentida pelas crianças autistas, que
as leva ao pânico e a falta de controle. A imposição
de exercícios as acalma e canalisa positivamente suas energias.
Uma das primeiras coisas que um aluno novo tem que aprender é correr.
A "maratona fortifica os músculos das crianças, melhora sua
saúde e as prepara para as aprendizagens seguintes", segundo afirma
a professora Kitahara.
Para ler mais sobre o método clique aqui
COMPORTAMENTO
Estes programas incluem diferentes tipos detécnicas visando determinar a causa de comportamentos indesejáveis e modificá-los. O condicionamento, por reforço ou recursos aversivos, tem se demonstrado um dos mais eficientes.
COMUNICAÇÃO FACILITADA
A Comunicação
Facilitada (Facilitated Communication) é uma técnica através
da qual um profissional treinado usa as mãos e os braços
de um indivíduo com déficits de comunicação,
para ajudá-lo a se comunicar.
Este método ensina
o deficiente a apontar ou acionar um botão de um dispositivo de
comunicação, possibilitando-lhe digitar ou falar palavras
chave. Existem muitas controvérsias com relação a
FC.