Os lixos comunistas
Paulo Guilherme Costa Miranda
Passando por uma das inúmeras rua do setor sul, me deparei com
um lixo que me chamou a atenção. No enorme saco azul tombado
para o lado da rua, tinha uma fita de vídeo do Titanic quebrada
e do lado uma caixa de calmante. O que deve Ter acontecido? Será
que alguém, sem querer, pisou na fita que devia estar no chão
e a dona( tem mais probabilidade de ser dona ) saiu de si ao ponto de precisar
uma caixa de calmantes? Foi o que pareceu de primeira vista, sem maiores
analises.
Esse negocio de analisar lixo pode ser interessante. Quando pomos o
lixo para fora, na verdade estamos expondo o que aconteceu na semana em
nossas casas. São os produtos contando sua historia. Vira uma espécie
de álbum fotográfico mas mais profundo. Por exemplo: alguém
que não te conhece pode interpretar, pela lixeira, os acontecimentos
cotidianos ao passo que uma foto não o dará muitas interpretações.
Ele não saberá se você estava gripado, mestruada, doente,
se bebe mais guaraná ou coca- cola, etc.
Se pudéssemos analisar o lixo de Karl Marx encontraríamos,
talvez, papeis rabiscados com rascunhos, caixas de tranqüilizante
(se existisse) e lenços de pano velho. O mesmo não aconteceria
a lixeira de Hitler que deveria Ter algo como produtos de limpeza, giletes
usadas para barbear (no Marx nem pensar!), um livro do próprio Karl
Marx; que sabe um dedo de judeu... O lixo de Newton além de um monte
de parafernálias metálicas , deveria Ter maçãs.
Mas essas estariam podres já que ele nunca usou-as para comer. Trazendo
para a atualidade, acho que a lixeira de ACM teria cartas intocadas do
presidente FHC ( além de lembrancinhas da Bahia, é claro).
Talvez até extratos vencidos de contas no exterior, essas coisas
que precisam toda autoridade política.... Ah! Por falar em autoridade
acho que depois de uma seção de conversa sobre verba com
os professores da UFG, o lixo da Milca deve estar repletos de lenços
de papeis com lágrimas da nossa reitora( “não temos dinheiro!”)
A verdade é que tanto lixo rico quanto pobre fede do mesmo jeito.
Um bagaço de laranja se iguala a uma garrafa de champanhe na lixeira.
O cheiro de entulho sempre é o mesmo. As classes encontram seu ponto
social comum no lixo. Isso é a coisa mais comunista praticada atualmente.
O comunismo está muito perto de nós; está na frente
de casa, está nas ruas! Quando fazemos lixo estamos contribuindo
para ele. Isso significa que os Estados Unidos são o país
mais comunista do mundo!
Paulo Guilherme Costa Miranda é
estudante do 1o. ano de radialismo da UFG.
Mande um e-mail para Paulo Guilherme
Costa Miranda ou para a direção
do jornal.
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